4° CHC Festival na Áudio Rebel

Punknet 18 de dezembro de 2011

Alguém se lembra de “Waterworld” (filme com Kevin Costner de 1995)? Aquele filme que fala sobre um mundo submerso, onde tudo se resumia água. Pois bem, minha jornada até a Áudio Rebel foi como estar nesse filme. Literalmente tive que usar minha destreza única (rs) para conseguir completar minha odisséia em busca do 4° CHC Festival.  Festival este que foi um presente da velha escola para a nova escola, pois literalmente tivemos aula do bom e velho Hardcore com as bandas Malvina (RJ), Norte Cartel (RJ), Cervical (RJ), O Inimigo (SP) e Questions com seu S.P.H.C. .

Norte Cartel por: Julia Oliveira

Logo de cara já sou surpreendido com os cariocas da Malvina: Vinicius Dias (Baixo e Voz), Bernardo Dias (Guitarra e Voz), Fabrício Rozales (Guitarra) e Renato Avellar (Bateria), quebrando tudo com uma batera seca e direta, guitarras dando corpo com abafados e riffs de tirar o fôlego, sem contar com a voz rouca de Vinicius. Vou ser sincero com vocês, eles tem uma pegada que lembra muito o Reffer , isso mesmo que vocês leram, não estou forçando a barra. Os moleques têm muito futuro na cena com suas letras em português e inglês, mas atualmente a banda está voltada apenas para composições em inglês (o que me agrada e muito).  O Set da banda contou com as músicas do álbum Claustro (2010) e do EP lançado esse ano como “Caustro”, “Parentheses”, “The Gall”, “Auto –Extinçao” e” Photophobia”, além do cover da musica “Back to the Motor League” (Propagandhi). Para quem quiser conferir o som do Malvina pode acessar o site deles (aqui).

Liderada por Felipe Chehuan (Voz), Daniel Portugal (Guitarra), Julio Longo (Baixo) e Dudu Manel (Bateria), a banda Norte Cartel subiu ao palco mostrando que o hardcore old school no Rio de Janeiro vai bem e muito obrigado.

Cervical por: Camilla Correa

Com as letras na ponta da língua do público, Felipe e companhia botaram o Áudio Rebel para polgar com muita vontade e dar início ao festival de moshes.  A banda já conta com cinco anos de história nas costas e três álbuns. Os cariocas começaram a me lembrar o porquê gosto tanto de hardcore, com uma batera que mescla em algumas músicas pedal duplo e outras não, e guitarra e baixo convergindo para o bem da banda e fechando com o vocal e presença de palco de Chehuan, bem conhecida na cena.  De cara eles começaram o show com “Sangrar e Morrer”, que está disponível para download na fã Page da banda no Facebook (aqui).  A banda seguiu com “Olhos Abertos”, “Romper” e “Golpe de Sorte”, mas a música que mais minha atenção foi “Família”, de cara porque me lembrou muito “Nothing To Prove” (H2O).  Depois pela vontade com que todos que estavam lá cantaram em uma só voz e até aqueles que não sabiam a letra se atreveram a cantar e prestigiar o Norte Cartel.

Diretamente da Região dos Lagos, Cervical novamente deu a certeza de que o Rio está voltando com tudo na cena. Mas agora precisamos de mais pessoas com a vontade de ajudar a cena como ela precisa, e todos os cariocas tem que deixar de apontar o dedo e criticar e passar a aplaudir bandas que estão lá por que gostam. Então se mexam e lutem por algo.

“Dar o sangue” abriu o set de Pascoal Mello (Voz), Davi Baeta (Guitarra), Leonardo (Guitarra), Marlon Siqueira (Baixo) e Dudu Manel (Bateria), dando aquela porrada nos ouvidos. A banda seguiu por “Caminhos de Dor”, “Sem Piedade”, “Nossa Historia”, mas em “Auto-destruição” , Pascoal partiu para dentro da roda, quebrando tudo como está escrito na boa e velha cartilha do hardcore. Novamente a batera de Dudu mesclou músicas com pedal duplo e outras não. Tá aí mais uma banda da cena carioca que vale a pena conferir o som.

O Inimigo por Camilla Correa

Dessa vez o Rio foi o palco escolhido pelo O Inimigo para o lançamento do seu novo álbum, “Imaginário Absoluto” (2011), após passagem pela cidade natal da banda semana passada. Diga-se de passagem, é um puta álbum e logo, logo terá sua critica na PUNKnet.

Antes de tudo, o que são as duas guitarras? Meu, sem sacanagem as duas dão um show a parte, lotadas de riffs que simplesmente enchem os ouvidos de qualquer um que possa ouvir eles, como encheram os meus. Isso sem falar do baixo, da bateria e no vocal, ou seja, os caras mandam muito, e dez anos tocando H.C não é para todo mundo.  Kalota (Vocal), Juninho (Guitarra), Alexandre (Baixo), Gian (Bateria) e Fernando (Guitarra), abriram o show com “O inimigo” mostrando logo de cara que eles não estavam ali de brincadeira. A banda seguiu com “Tarde Demais”,”Minha Ira”, “Under Pressure”, que na minha opinião é a melhor música do álbum novo.

Os paulistas seguiram com “Abandonado”, “Cada um em dois” e “The Way”, se não me engano foi nela que ocorreu algo bem legal, durante um solo de Juninho a mulecada foi ao delírio tentando tocar junto com ele a guitarra. O set ainda contou ainda com “Não há duvidas”, “The Way” e “Demonio”, que fechou com chave de ouro o show do O Inimigo.

Fechando essa grande noite, foi a vez do Questions S.P.H.C,  que acabou de retornar de mais uma bem sucedida tour pela Europa, divulgando o álbum “Life Is A Fight” (2011).

Questions por: Andrey Oliveira

“Life Is A Fight”, música que leva o mesmo nome do álbum, foi a escolhida por Edu Andrade (Voz), Pablo Menna (Guitarra e Voz), Helio Suzuki (Baixo) e Eduardo Akira (Bateria) para abrir o show com dois pés direitos. A banda seguiu com “Union/Respect”, “Left Behind”, “The Victory Speech”, “Prove Yourself” e “Built on Lies” que fizeram os fãs arrancarem alguns pedaços do teto com seus moshes nível 5. “Filler”, “Consume”, “Born n’ Raised” continuaram dando uma aula a todos os Straight Edges, Vegans e todos que curtam o trabalho dessa banda que deu tanto para cena underground brasileira.

Durante quase todo o show, Edu pedia a todos que se aproximassem e participassem e sempre agradecia dizendo que o Hardcore fala de união e respeito, realmente dando uma aula de como um frontman deve orquestrar um show. Os paulistas seguiram com “One Step”, “As One”, “Strenght” , “Troops” e fecharam o set com “Show Your No Merch”, dando aquele gosto de quero mais e promessas de que coisas boas estão por vir dessa banda que merece todo respeito que conquistou e que ainda vai conquistar.

Fecho minha resenha com as palavras do Questions:

“Lute por um cena mais positiva”.

 

Por: Dav Campos – @davinreallife 

Fotos por: Camilla Correa, Andrey Oliveira e Julia Oliveira. Muito obrigado