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“A juventude que nunca morrerá”: Show de reunião do Nitrominds

Punknet | 03/04/2017 | Comentários desativados em “A juventude que nunca morrerá”: Show de reunião do Nitrominds | Matérias, Uncategorized

Frequentemente uso a frase “Quando eu era jovem” para me referir a acontecimentos e vivências de meu passado. A adolescência passou, as responsabilidades bateram à porta e, pouco a pouco, diante dos meus olhos, a vida se transforma, sempre. Muita gente questiona, “Quando você ‘era’ jovem? Não é mais?”. Um riso basta como réplica.
Cheguei cedo ao Hangar 110, como fazia quando jovem (ou como faço desde sempre). Não havia fila, a rua estava ainda relativamente vazia. No bar, a poucos metros da entrada, algumas dezenas de pessoas tomavam uma cerveja para “Abrir os trabalhos”. Pessoas, garotos e garotas, homens e mulheres, garotos-homens e mulheres-garotas.
Desta vez a noite não teria muitas bandas, foi uma “De abertura” e a “Principal” mesmo. Show de reunião é isso mesmo: banda “Principal” no palco por muito tempo para compensar o muito tempo sem palco.

 

A principal essa noite (01/04/2017), aliás, o Nitrominds, de Santo André, do ABC Paulista, de São Paulo, do Mundo, enfim, uma das primeiras bandas de Hard Core de que gostei na vida, e da qual, quando eu era jovem, nunca havia dado certo de ver um show.

 

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Foto: Marcello Orsi

Quem preparou o palco foi o pessoal da Lettal. Se na primeira vez em que vi esta banda a classifiquei como “Metal Punk”, hoje gostaria de reclassificá-la como uma banda sem fronteiras entre tudo o que compõem Hard Core Metal Punk. Sem fronteiras ou vírgulas entre as referências. A frente da banda, incansável por quarenta minutos de pouco papo e muita música, o eterno jovem Gepeto.

 

As luzes se apagaram e a cortina começou a abrir. O Hangar estava cheio, não sei se rolou o famoso (e cada vez mais difícil) “Ingressos esgotados”, mas estava bem lotado. A cortina se abriu por inteiro, a galera estava insana na pista, André, Lalo e Edu já faziam barulho, o escrito Nitrominds no bumbo da bateria tremia, a roda se abriu e… o microfone falhou. O êxtase explosivo teve de ser contido por mais alguns instantes. Tudo certo, e começaram com “This world”.

 

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Foto: Marcello Orsi

Não demorei muito para colocar de lado a figura do cara que assiste aos shows com caderninho e caneta em mãos, e deixar entrar em cena o jovem que gosta da roda, do empurra-empurra, de “Stage diving” (que na minha época chamava “Dar mosh”). A situação pedia isso.
Por cerca de uma hora e meia os rapazes do ABC tocaram as músicas velozes, cheias de melodias vocais, solos, quebradeiras, refrões com coros que, ao longo de 18 anos se tornaram características da banda – e o fizeram com a mesma empolgação e refinamento daqueles 18 anos. Contaram com o reforço, de muito peso, do Ricardo, vocalista nos princípios da banda, que cantou dois blocos de músicas, dentre eles um com as músicas “Days ago”, “Keep Peace” e “The Secret”, do Pennywise.

 

Teve pista aberta no meio para a galera se debater junto com a entrada da bateria, na música “On the Road”. Teve jovens que não se conhecem cantando músicas, como “Down and away”, com olhos nos olhos. Teve momentos de maior explosão, como em “Flowers and common view”, “Fire and gasoline”, “Start your own revolution”, “Policemen”. Teve homem adulto subindo no palco para pular em meio ao vazio e que acabou caindo de cara no cimento duro do chão.
Em meio a pedidos de “Volta Nitrominds”, gritado em coro pelo público, a banda saiu e retornou para um rápido ‘bis’. Sobre o pedido do público, André comentou: “A vida segue”. E, no caso dos integrantes dessa clássica banda, segue com grande maestria: Lalo e André tocam no “Statues on fire”, Lalo e Edu no “Cruel Face”, e o Edu no “Voodoo Priest”.

 

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Foto: Marcello Orsi

Teve muita energia, do palco para a pista e vice-versa, uma troca legítima demais – embora alguém que subiu no palco quebrou tarrachas da guitarra do André. Que me perdoem pela lembrança aqueles não são fãs do clássico seriado mexicano, mas a considerar a energia no palco e na pista, que emanava de rostos com rugas, de cabeças repletas de cabelos brancos, recordei-me daquela música do Chaves: trata-se de uma “Juventude que nunca morrerá”.

 

A banda quando é boa e sincera, já comentei aqui no PunkNet, acaba, mas não termina. As camisetas desbotadas, de diversas fases do Nitrominds, que o pessoal vestia, a agitação constante na pista, as músicas cantadas em coro… Foi um show de “Reunião”, daquilo que nunca deixou (ou deixará) de existir: uma das maiores bandas do Hard Core nacional.

 

 

 

 

Confira mais fotos aqui.

 

Texto: Gabriel Coiso

Fotos: Marcello Orsi

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