Além dos Acordes #15 – Com Raphael Mancini do Felter

Punknet 15 de fevereiro de 2012

Raphael Mancini, do Felter, bateu um papo com a PUNKnet sobre música, carreira, gravação, composição e momentos de introspecção.

Arquivo Pessoal

PUNKnet - Como começou sua vida na música?

Raphael Mancini – Comecei vendo meu pai cantar e tocar violão na sala de casa, em Belo Horizonte. Isso me incentivou a comprar aquelas revistinhas de banca com uns acordes desenhados, aprendi a tocar assim. Depois fiz aulas de guitarra durante um tempo e estudei violão erudito durante alguns anos também.

PUNKnetVocê tinha algum artista ou banda que te fez querer seguir essa carreira?

Raphael Mancini – Minha irmã me apresentou o Nevermind do Nirvana quando eu tinha uns 13 anos, isso mudou a minha vida. Queria ser igual ao Kurt Cobain, hahaha.

PUNKnetComo foi pra você o início do Felter?

Raphael Mancini – Em 2005 vim de BH para SP a procura de novidades, incluindo uma nova banda. Eu tinha algumas demos bem antigas em mp3 e fui enviando pra um pessoal daqui, fui fazendo testes até formar o Felter. Pouco tempo depois gravamos nosso primeiro EP.

PUNKnetComo foi a receptividade do EP Felter, lançado em 2006?

Raphael Mancini – O EP foi só um cartão de visitas, com 4 músicas apenas. A receptividade não foi grandes coisas pra falar a verdade haha. Serviu mais para conseguirmos fazer os primeiros shows por SP, interior e rendeu 2 shows em Belo Horizonte também.

PUNKnetO último disco do Felter foi o Passo a Passo (2010). Fala pra gente um pouco do processo de produção e gravação desse disco.

Raphael Mancini – Demorou pra sair esse disco viu, hahaha. Ele é um apanhado das melhores músicas que tínhamos naquele momento. Gravamos com o Leonardo Ramos do Supercombo/2ois e ele acabou ajudando também em alguns arranjos, principalmente na parte vocal. Achei isso muito positivo, pela primeira vez tive idéias de fora com relação a melodias que me agradaram e acabaram entrando pro disco.

PUNKnetQual foi a maior diferença entre o EP Felter (2006) e o Passo a Passo (2010) na sua opinião.

Raphael Mancini – Passo a passo tem uma proposta diferente do EP, é um disco mais limpo onde tive um maior cuidado com a produção das músicas. A prioridade ali eram as melodias, deixando o vocal mais na frente. No EP o vocal ficava mais pra trás e as guitarras na cara haha.

PUNKnetRecentemente, o Felter lançou umas demos antigas. De onde veio a idéia pra lançar esse material?

Raphael Mancini – Acabei comprando uma bateria eletrônica logo após a gravação de Passo a passo. Montei um home studio no meu quarto e desde então venho gravando demos incansavelmente. A principio eu gravava apenas para mapear as músicas, mas aí resolvi remixar algumas e colocar na internet pro pessoal escutar, chega de prender música. Tenho várias outras ainda pra finalizar.

PUNKnetVocê tem um projeto solo chamado Sempre Existe um Porém. Conta um pouco mais sobre esse projeto pra gente.

Raphael Mancini – Tenho mais 2 projetos na verdade. O “Sempre existe um porém” é o meu lado mais agressivo, é um disco mais pesado do que o Felter (remete um pouco ao EP). Compus e gravei o disco inteiro em 3 meses quando eu tava meio mal comigo mesmo, fiz o disco pra desabafar, todo aqui no meu home studio. Gosto muito desse disco, as músicas estavam saindo fáceis demais na época.

O “Projeto D” é o meu lado acústico. Lancei um disco na web com 10 músicas apenas com violão e voz, bem cruzão mesmo. O próximo penso em gravar com mais instrumentos.

PUNKnetVocê é bem ligado nessa parte de composição e gravação. Como começou isso na sua vida?

Raphael Mancini – Desde quando comecei a tocar guitarra sempre fui pelo caminho da composição. Nunca curti ficar tocando cover em rodinha de violão. Tenho uma preocupação grande com melodia, tenho o costume de criar muita coisa mas gostar de pouca. As poucas partes que eu realmente gosto, acabam virando uma música completa.

PUNKnetTem alguma música em especial que você acredita que representa toda a sua trajetória?

Raphael Mancini – Vixi… acho que uma específica não. Minhas músicas são baseadas em momentos. No “Sempre existe um porém” por exemplo as letras falam sobre aquilo ali que eu estava passando naquele momento de introspecção. Hoje em dia já estou em uma fase completamente diferente, mas o registro ficou. Cada música que eu componho tem uma história diferente pra contar.

PUNKnetQual foi o momento que mais ficou marcado na sua vida de músico?

Raphael Mancini – Acho que a mudança BH/SP. Gosto muito de tocar com outros músicos e aqui tenho essa oportunidade até hoje. Sempre que posso faço alguns ensaios e shows com amigos, as vezes tocando guitarra, as vezes baixo e até bateria. Também acho que aprendi muito gravando minhas próprias canções aqui em casa, tanto como compositor quanto na parte de mixagem de uma música.

Outra coisa que me marcou muito recentemente foi o reencontro depois de anos da primeira banda séria que eu tive, se chamava Seash. Fizemos um ensaio relembrando as músicas e foi incrível! Provavelmente devo gravar algumas músicas com os meninos em breve.

PUNKnetO que você está fazendo atualmente, algum projeto especial?

Raphael Mancini – Fora os meus 3 projetos vivo fazendo coisas novas. Eu acabei de criar uma trilha sonora para um curta que a minha irmã fez. De vez em quando gravo bandas aqui em casa e vivo tocando com outras pessoas também.

PUNKnetQuais os planos pro futuro?

Raphael Mancini – Quero terminar de remixar mais músicas do Felter, soltar mais músicas do Sempre existe e compor e gravar um disco novo inteiro pro Projeto D. Fora isso também quero gravar algumas músicas antigas da Seash. Também tenho vontade de fazer mais alguns shows por ai com os meus projetos, mas ai não depende só de mim haha.

PUNKnetDeixa uma mensagem pra todo mundo que está lendo essa entrevista.

Raphael Mancini – Escutem os meus 3 projetos hahaha

Felter: felter.bandcamp.com
Sempre existe um porém: sempreexisteumporem.bandcamp.com
Projeto D: www.myspace.com/projetod

Rômulo Oliveira - @romulo_oliver