Além dos Acordes #16 – Com Otávio Cavalheiro, ex-Falante, Fullheart e atualmente em projeto solo.

Punknet 22 de fevereiro de 2012

Otávio Cavalheiro, atualmente em projeto solo, bateu um papo com a PUNKnet sobre música, infância, falta de grana, bandas e a vontade de continuar na estrada.

Foto por: Leandro Assai

PUNKnetOtávio Cavalheiro, como começou sua vida na música?

Otávio Cavalheiro – Não sei dizer exatamente, mas tenho lembranças de quando eu era bem criança ainda, de me interessar bastante por música sem nem mesmo saber o que era direito…só sei que gostava de escutar música, seja lá o que estivesse tocando. Lembro vagamente, que quando meus irmãos mais velhos saiam pra ir à escola de manhã, e eu estudava a tarde, minha mãe colocava discos para eu ficar escutando enquanto ela arrumava a casa, lembro que rolava uns Tim Maia. Lembro também que ás vezes meu pai comprava discos de novela, ou algo que estava rolando na época e sentávamos todos de frente a vitrola pra escutar. Ainda criança, ganhei um violão pequenininho, daqueles de criança, do meu pai, mas lembro de não ter gostado muito pois não conseguia fazer nada além de barulho com aquilo. Mais tarde,lembro de ter encontrado em um armário de casa um violão que meu pai havia ganhado muito tempo antes, mas como ele não tocava, o violão estava lá guardado no fundo do armário, empoeirado e esquecido. Lembro que aquilo foi uma grande descoberta pra mim, então eu pegava ele ás vezes e ficava tocando com uma tampa de caneta bic, mas ainda só fazendo barulho.

Quando eu tinha uns 13 anos, tinha um amigo de prédio, que era mais velho e estudava violão em um conservatório, e um dia ele disse que estava dando aula, dai lembrei que tinha um violão e comecei fazer aula com ele no pátio do prédio. Lembro que na segunda semana eu já queria desistir, porque sempre achei a parte teórica chata demais, eu queria era sair tocando logo, não queria saber de teoria, eu queria tocar alguma coisa, e aquilo me frustrou e eu quis desistir, mas meu pai não deixou, me disse pra tentar mais um pouco, e se eu continuasse insatisfeito poderia parar, dai cheguei pro meu amigo e pedi pra ele pular a parte teórico (coisa que sinto falta até hoje, por não ter aprendido naquela época) e que me ensinasse logo a tocar alguma coisa, acho que a primeira música que consegui tocar, foi aquela (eu tinha uma galinha que se chamava marilu) e o riff “come as you are”, do Nirvana (esse com o violão deitado no colo), ambos pessimamente, mas pela primeira vez conseguia tirar som do violão. Achava aquilo demais, daí comecei a curtir e então pedi a esse meu amigo que me ensinasse como tocar guitarra, pois no meu próximo aniversário eu iria pedir uma guitarra de aniversário pro meu pai. Daí aprendi como se fazia um powercord e nunca mais estudei, fui no instinto. Lembro também que eu não gostava muito de tocar as músicas dos outros, então desde cedo eu já fazia as minhas próprias e gravava em um som com duplodeck, ia sobrepondo, primeiro o violão, depois uns riffs e depois a voz.

PUNKnetVocê teve algum artista ou banda que te fez querer seguir essa carreira?

Otávio Cavalheiro – Não digo seguir carreira, porque quando eu comecei tocar, não pensava nisso como uma carreira, apenas queria tocar. Mas lembro de ter visto em 1994 o Billie Joe do Green Day babando e tocando guitarra na TV, aquilo me deixou maluco, quando eu vi aquilo, fui invadido por um sentimento de que era aquilo que eu queria fazer. Depois tiveram vários outros artistas que me inspiraram, cada um em algum momento da minha vida, mas com certeza o Billie Joe foi o responsável por eu querer tocar guitarra e entrar de cabeça nesse universo da música e ter uma banda.

PUNKnetComo foi pra você a vida na banda Fullheart?

Otávio Cavalheiro – O Fullheart surgiu de uma banda punk que eu tinha, que se chamava “Corroídos pelo sistema” uhauhauaha. Eramos Eu, Madú, Sérgio e Diego. Dai depois chamei o Flávio Particelli, pra substituir o Diego na guitarra, e depois, entrou o Chinho no vocal. Para mim foi a fase mais intensa, musicalmente falando, da minha vida. Éramos todos jovens, e eu só queria saber de chegar logo o fim do dia pra sair do trabalho que eu tinha na época, como office boy em uma imobiliária, pegar o ônibus, e chegar o mais rápido possível na casa do Madu, que era onde a gente ensaiava, encontrar com o resto da banda e tocar. Contava os dias para chegar o final de semana, para podermos nos internar na garagem e só sairmos de lá quando nos mandassem parar por causa do horário e do barulho. Aquilo acontecia todos os finais de semana, e alguns dias da semana também, por bons anos da minha vida. Aprendi e descobri muito ali, era tudo muito espontâneo e verdadeiro, nada mais importava, só queríamos saber de tocar, nem show a gente fazia direito, porque o nosso barato era ficar ali internado dentro da garagem fazendo um som…entrávamos em um universo paralelo, era foda!

PUNKnetAlém do Fullheart, você também tocava no Falante. Comente um pouco dessa época.

Otávio Cavalheiro – Foi uma época curta, porem intensa, onde aprendi bastante coisa também. Costumo pensar que o Fullheart foi minha escola, e o Falante minha faculdade na vida musical. Eu gostava bastante de tocar. Lembro, que eu e o Flávio, montamos a banda Falante porque queríamos continuar tocando juntos e não repetir os erros e estresse de falta de comprometimento que rolavam no Fullheart, porque eu colocava o Fullheart na frente de tudo e todos e era meio frustrante as vezes, ser decepcionado por nem todos encararem a banda da mesma forma. A idéia do Falante era não cometer as mesmas falhas do Fullheart, apenas tocar sem estresse, mas eu já não era mais tão ingênuo como no Fullheart, eu já tinha uma expectativa sobre o Falante, o que acabou atrapalhando um pouco também. Aprendi que por mais que o sistema do Falante como banda funcionasse melhor do que no Fullheart, isso não era o suficiente para uma banda sobreviver. Mas isso também é só detalhe, porque passei ótimos momentos no Falante também, a gente se propôs a fazer algo diferente do que todos os integrantes já tinham feito antes, então foi uma experiência do caralho, guardo muitos e ótimos bons momentos dessa época também.

PUNKnetNa época do Falante, você começou a cantar e compor algumas músicas. Como foi esse momento pra você?

Otávio Cavalheiro – Quando tive minha primeira banda punk, Corroídos pelo sistema, eu tocava guitarra e cantava, ou tentava cantar, dai quando o Corroídos pelo Sistema se transformou no Fullheart, eu acabei deixando de cantar e fiquei só tocando guitarra. Então no Falante, surgiu a oportunidade de tocar guitarra e voltar a cantar, mesmo sem saber fazer isso direito. Lembro que foi meio difícil e estranho, mas foi legal voltar a cantar, por que é um lance que eu sempre gostei, por mais que eu não me sentisse muito a vontade ou pronto pra fazer aquilo, foi massa.

PUNKnetAlém de músico, você também trabalha com gravação e produção musical. Fale um pouco como tudo isso começou, e como as coisas estão agora.

Otávio Cavalheiro – Lembro de ter terminado a escola e não saber o que eu iria fazer à seguir. Enquanto meus amigos entravam em faculdades, eu apenas queria fugir daquilo. Fiquei em casa por um tempo sem fazer nada, além de tocar, até o dia em que meu pai chegou em mim e disse que eu não poderia continuar naquela vida mansa, que eu fosse arrumar uma faculdade pra fazer ou trabalhar. Como nenhum curso me atraía, tive que ir trabalhar de office boy em uma imobiliária. Eu realmente não queria aquilo pra mim. Lembro que era pra ter enviado o curriculum pelo correio, na segunda, mas como eu não tinha a mínima vontade de fazer aquilo, fui mandar só no final da semana, e mesmo assim me chamaram e gostaram de mim e me contrataram. Em um domingo, estava zapiando a TV, e passei pelo programa do Netinho, Domingo da gente acho, e estava passando um quadro onde um moleque carente queria trabalhar com áudio, dai ele ganhou uma bolsa no IAV. Eu pensei comigo, nossa é isso que eu quero fazer, já tinha tido essa sensação da primeira vez que entrei no estúdio El Rocha, pra gravar uma música do Fullheart. Então senti que tinha encontrado o caminho pra seguir essa carreira, dai anotei o telefone da escola, que apareceu no fim da matéria, e na segunda-feira entrei em contato, e como na época eu já ganhava meu dinheirinho suado, passando o dia nas filas de bancos e andando de lado a lado por São Paulo, resolvi investi minha grana nesse curso. Em 2003 ou 2004, quando terminei o curso, não encontrei trabalho, montei um homestudio basicão em casa, inclusive onde gravamos a pré do último disco do Fullheart e o primeiro Ep do Falante, então acabou se tornando mais um hobbie do que um trampo. Dai fui fazer faculdade de Rádio e TV, que era o único curso que abordava um pouco o áudio, e que me daria oportunidade de encontrar um trabalho mais legal. No segundo semestre de faculdade eu já estava trabalhando na Tv, e em pouco tempo, bastante envolvido e ganhando bem. Já tinha trancado a faculdade e só estava trabalhando.

No ano de 2007 acho, quando o Falante começou ensaiar no Rock Together, conheci o Tyello, que estava querendo abrir a parte de gravação no estúdio. Indiquei à ele o que ele iria precisar pra isso acontecer, dai quando ele já tinha o básico dos equipamentos, ele montou em uma salinha do lado da cozinha o estúdio, onde não existia a estrutura que tem lá hoje, era bem precário mesmo, dai, ele me ofereceu o cargo, disse que se eu estivesse afim, poderia assumir a gravação. Isso foi bem na época em que terminei um freela que estava fazendo na TV, e como foi o que eu sempre quis trabalhar, pulei de cabeça, abandonei a TV e entrei de vez para o áudio. Foi ali que eu comecei a aprender e por em prática tudo o que eu tinha estudado antes. Acredito que financeiramente não foi um bom caminho que escolhi, pois na TV eu ganhava muito bem, e quando comecei a trabalhar com áudio, passei por situações de não ter um real no bolso por muitos meses. Se pelo lado financeiro não me fez bem, eu estava feliz, pois finalmente estava sobrevivendo, mesmo que aos troncos e barrancos, exclusivamente de música.

Atualmente, fora a bagagem que mais ou menos 5 anos de estúdio me deram, não mudou muita coisa, continuo fudido financeiramente mas fazendo o que eu gosto e tendo tempo pra continuar tocando, coisa que a maioria das pessoas que eu conheço tiveram que abandonar ou levar como um hobbie pois tem trabalhos que tomam todo o tempo. Hoje em dia, entendo que essa é uma carreira que dá retorno a médio longo prazo, então relaxei e assim pude redescobrir o prazer de trabalhar com isso. Atualmente, além de trabalhar no Rock Together, também estou trabalhando como freela em uma produtora de áudio para publicidade, é um outro universo que estou descobrindo, me amarrando, e me envolvendo. Além de ser financeiramente mais estável, o que é importante quando se tem 30 anos de idade e algumas responsabilidades, é muito legal você trabalhar em um jingle para a propaganda da Coca Cola, por exemplo e outras grandes marcas. Ainda estou engatinhando na área, mas tô me envolvendo bastante com o trabalho, apesar de ser em um ritimo mais “pastelaria”, continuo envolvido com música, criação e composição, produção e mixagem.

PUNKnetVocê atualmente tem um projeto solo autoral, conta para gente como surgiu a idéia de lançar esse projeto.

Otávio Cavalheiro – Depois do Falante, eu percebi que definitivamente não iria parar de tocar, então resolvi montar um projeto solo pra fazer músicas do jeito que eu queria, ou tentar fazer isso. Eu na verdade ficava meio indignado quando via artistas solos, eu pensava, que cusão, o cara é tão prepotente que deu o nome dele pra banda, que mala do caralho. Mas hoje em dia eu entendo que um projeto solo, facilita muito as coisas, pois tudo depende só de você, se você não compor você não tem música pra tocar, mas também não tem conflito de idéias com outros integrantes, e assim você consegue expor aquela idéia exatamente como imaginou. Ao mesmo tempo que te dá uma total autonomia, é uma parada meio solitária, pois não tem ninguém ali pra te falar, isso tá legal cara, ou isso tá uma merda. Eu sofro bastante com isso, pois sou muito auto-crítico, e na maior parte das minhas criações, enrolo demais pra terminar, pois nunca acho que está bom o suficiente. Mas é algo que estou aprendendo a lidar, além de resgatar definitivamente o lance de cantar.

Fiz dois anos de aula de canto, ainda estou aprendendo, não me sinto pronto, mas já me sinto um pouco mais confortável fazendo isso. Depois do primeiro show que fiz com esse projeto, pensei em abandonar tudo, porque achei que mandei muito mal, me caguei inteiro tocando e cantando, mas depois de refletir, entendi que aquele era um processo que teria que passar pra me descobrir nesse novo jeito de tocar, que é diferente de tudo que já fiz na música, mas sinto que estou no caminho. Sei que é preciso passar por essa fase para chegar na próxima. O bom de um projeto solo é que estou me reencontrando com a música de uma forma mais sincera e sem compromisso, a não ser comigo mesmo.

PUNKnetNo seu projeto solo, você conta com a participação de ótimos músicos, como o André Déa do Sugar Kane. Como foi a reunião dessa galera, e qual a sensação de tocar junto com eles?

Otávio Cavalheiro – Isso é outra coisa legal de se ter um projeto solo, poder tocar com vários músicos que você admira, uma galera diferente. Sempre pirei no André Dea tocando, então um dia tomei coragem e resolvi mostrar o rascunho do meu trampo pra ele, e caso ele curtisse, se ele não queria tocar comigo. Fiquei feliz pra caralho quando ele topou. Tocar com o cara, faz de mim um músico melhor, pois o cara está em outro patamar, então eu me esforço pra poder tocar no nível dele. Tocar com o cara é fácil, ele te dá o chão pra você poder caminhar com sua música.

Consegui descolar um time que eu considero foda pra gravar minhas primeiras 3 músicas. Além do Pindé, quem gravou os baixos, foi o Jairon Black, puta músico monstro também, que eu conheci por acaso no estúdio, quando ele apareceu lá como músico contratado. Fiquei amigo dele, mostrei os meus rascunhos e ele pirou,dai chamei ele pra tocar comigo. Um lance legal dele é que ele é de outra escola musical, achei que agregou de uma forma bem interessante. E para a guitarra eu convidei o Gab Scatolin que já era meu amigo e é um ótimo guitarrista. Foi uma experiência massa. Infelizmente, consegui fazer apenas um show com essa formação, pois além de eu ser enrolado, o Pindé tem outros projetos, e o Jairon vive de tocar na noite, e ambos dependem exclusivamente disso pra sobreviver e pagar as contas, e o meu projeto ainda não pode oferecer nada além de tocar e diversão pros caras, sendo assim, acaba ficando meio difícil conciliar a agenda deles. Mas o Pínde, quando pode, toca comigo. São dois caras que eu quero tocar junto sempre que eles puderem. No fim do ano eu fiz um show, e consegui um espaço na agenda do Pindé pra ele tocar comigo, dai pro baixo chamei um amigo meu recente, que tem um feeling muito bom no baixo, o Thiago, e o Zeh Monstro (ex hollytree e gala mosntro, atual boderlinerz e lastpost) pra guitarra, que é o meu coringa, o cara toca tudo, bateria, baixo, guitarra… teve um show que eu coloquei ele no baixo e o Rafael Scatolin (lastpost) na bateria. Isso que é o bom de se ter bons músicos como amigos, sempre dá pra chamar alguém pra tocar junto.

PUNKnetAlém do projeto solo, você atualmente também toca com a Carox. Como estão as coisas na banda?

Otávio Cavalheiro – Foi mais uma experiência curta, mas bem massa na minha vida. Estar nesse projeto me levou à lugares onde eu nunca tinha ido antes como músico, além de estar total entre amigos. Mas no começo desse ano, me desliguei da banda por querer focar minha vida esse ano mais no trabalho e no meu projeto solo. Estudar e trabalhar mais. E assim acho que não irei suprir as necessidades como músico e colaborador. Foi uma decisão muito difícil de se tomar, mas acho que vai ser melhor assim para os dois lados. Preciso botar minha vida em ordem, e no meu tempo vago me dedicar mais ao meu projeto solo que é realmente onde eu me encontro comigo mesmo.

PUNKnetTem algum show que ficou marcado por ser o mais especial?

Otávio Cavalheiro – Putz, vários, nem vou me arriscar citar um, pois com certeza vou esquecer de outros, além de criar e da parte de estúdio, que eu gosto bastante, fazer show é uma coisa que eu gosto pra caralho, por isso ainda estou nessa, e depois de tantos, aprendi a apreciar o momento no palco como se fosse a última coisa que farei na vida, e quando se está com um equipamento honesto, definitivamente estar em cima de um palco tocando pra 10 ou 10.000 pessoas, é o melhor lugar e melhor coisa pra se fazer na vida.

PUNKnetComo você é da área, o que você acha das gravações caseiras que muitas bandas andam fazendo por aí?

Otávio Cavalheiro – Pra ser sincero eu não sei dizer com certeza porque não escuto muita coisa nova, não por nada, mais por preguiça mesmo, gosto de escutar o que eu gosto de escutar. E as novidades que eu gosto, acabo conhecendo por acaso, não fico pesquisando. Mas sei muito bem, que com bom senso, no mundo digital é possível se fazer muito com pouco, e aprendi que não importa muito com o que você faz, e sim como se faz.

PUNKnetSó pra polemizar, já que tanta gente tem cobrado. Alguma idéia de fazer um show de despedida ou reunião do Falante?

Otávio Cavalheiro – Nunca digo nunca, mas é algo que não esta nos meus planos. Mas pode ser mês que vem ou nunca. Se tiver que acontecer, assim como com o Fullheart, que tanta gente pede, vai rolar de uma forma natural e verdadeira, pra agradar principalmente e primeiramente quem está ali envolvido, e não só quem está pedindo.

PUNKnetQuais os planos pro futuro?

Otávio Cavalheiro – Sem muitos planos, apenas continuar na estrada da música, que nunca me falte inspiração e disposição, porque vou te falar que essa vida da música, ao mesmo tempo que é muito prazerosa, é sofrida demais. Mas acho que é me dedicar mais ao meu trabalho e ao meu projeto solo.

PUNKnetDeixa uma mensagem pra todo mundo que está lendo essa entrevista.

Otávio Cavalheiro – Valeu quem dispôs do seu precioso tempo lendo essa entrevista, e desculpe por algum eventual erro gramatical.

Por: Rômulo Oliveira - @romulo_oliver