Leandro Neko, baterista da banda Doyoulike? bateu um papo com a PUNKnet sobre música, amizade, experiências, vida e até sobre o desejo de casar e ter filhos.
PUNKnet – Neko, como começou sua vida na música?
Neko - Então, minha vida na música começou na Igreja Católica. Eu participava de um grupo de jovens e lá tinha aulas de violão. Ganhei um “Kashima” de Páscoa e comecei. Assim foi indo, primeiro as missas, depois as revistas de cifras e por aí foi. Uns anos se passaram e a banda dos “amigos de condomínio” não tinha baterista, vi a oportunidade perfeita para tentar tocar. Aí, cheguei aqui, dez anos depois.
PUNKnet – Você teve algum artista ou banda que te fez querer seguir esse caminho?
Neko - Cara, lembro de ouvir muito Green Day, Sublime, Blink 182 e uma coletânea chamada “Friends Of The Ocean” nos meus 10 – 12 anos. TODA viagem em família rolava esses CD’s no repeat. Eu ficava tentando imitar os caras no banco do carro mesmo. Enquanto minha família mandava eu me aquietar e dormir, afinal, faltava seis horas de viagem até Florianópolis.
Na adolescência, minhas bandas preferidas eram o CPM 22 e o Blink 182. Olhava os DVD’s e me via lá. Decidi que queria isso pra mim também. Lembro até hoje de guardar o dinheiro da “merenda do recreio” e comprar o “Take Off Your Paints And Jacket” do Blink e SURTAR. Via os clipes e a distorção gritando nos ouvidos, daí, com o perdão da palavra, FUDEU.
PUNKnet – Conta pra gente um pouco do início da Doyoulike? para você.
Neko - Foi muito diferente de qualquer outra banda que eu já toquei. Lembro do primeiro projeto que fizemos e, na real, era para ser eu, Érico e Z. Íamos trocar os instrumentos em todas as músicas (guitarra, baixo e bateria). Era uma brincadeira mesmo. No meio disso, o Gulis tinha ficado sem banda e sempre quis tocar com o Z, daí ele falou isso para a gente e formou tudo. Não levava nada a sério, no começo. O Gulis fazia TUDO sozinho e, no máximo, eu falava “Bah, ficou legal esse logo novo”. E, ao natural, as coisas foram tomando seriedade e importância na vida de nós quatro..
É louco demais pensar nisso, fizemos seis anos na semana passada e me passou um filme de tudo que fizemos juntos. Estamos casados e muito bem amados entre si. Um passo de cada vez e sem direção pré-determinada. A vida leva, nós vamos.
PUNKnet – Vocês lançaram recentemente o disco Sobre A Vida, A Paz E A Guerra. Conta um pouco do processo de produção e gravação do disco.
Neko - Foi, para mim, o melhor processo de produção e gravação que já passamos. Sabíamos exatamente onde queríamos chegar sonoramente. É como se as músicas já soassem em nossos ouvidos, antes mesmo de grava-las. O repertório do CD já nos acompanhava há uns dois anos e nós estávamos na ansiedade máxima para botar na rua.
Dentro do estúdio quem fez a produção foi o Érico Junqueira (nosso vocalista!hehe). Melhor escolha que poderíamos ter feito, para esse disco. Essas músicas soavam tão íntimas que acho que poucas pessoas entenderiam e conseguiriam chegar no resultado que a banda buscava. E por ele já estar dentro de tudo, sabia exatamente qual era o norte. Em especial, para mim, as baterias foram um doce. Estão cruas, é som que saiu no dia mesmo. Maior orgulho da vida ouvir elas. Fiquei contente mesmo com o resultado. E o CD como um todo?! Melhor registro da Doyoulike?, para mim.
PUNKnet – Como surgiu a ideia de ter músicas com arranjos de metais?
Neko - No fim de 2009 tivemos a ideia de colocar. Não lembro de quem veio, sei que os quatro piraram nisso e rolou. O primeiro ensaio com eles foi em Janeiro de 2010. O TEMPO PASSA! hehe Mas tivemos essa vontade, pois sentimos que as músicas estavam pedindo. Quando acrescentamos, o sorriso no rosto foi inevitável. É aquela coisa dos quatro sorrirem juntos ao tocar de um arranjo novo. Foi demais.
No fim, seis músicas das oito que estão no CD ganharam as linhas de Trompete e Sax. Gabriel Gambá é o rei do sopro!
PUNKnet – Com o Doyoulike?, já são quatro discos lançados. Qual você acha que foi a maior mudança que aconteceu desde o início até o momento atual?
Neko - Assim, se tu acompanhou a banda, consegue notar a evolução nos três primeiros CD’s. Pelo menos para mim, é muito clara a evolução entre eles. Nesse último disco a gente caminhou por sons e temas bem diferentes dos que vínhamos fazendo anteriormente e isso pode até assustar numa primeira audição. Mas com o tempo tu vê que a banda é a mesma e a “identidade” da Doyoulike? está em todas as canções. Respondendo a pergunta, certamente a maior mudança foi do Coleção (2010) - Sobre a Vida, a Paz e a Guerra (2012).
PUNKnet – Conta para a gente um pouco da época em que você tocava na banda Napalmy.
Neko - Bom, a Napalmy foi um período bem curto para mim. Adicionei o Z no MSN e nunca tinha falado com ele, um belo dia ele veio e perguntou “quem é?”. E por aí foi, hehe. Eles estavam sem baterista e eu gostava da banda. Me ofereci para um teste e rolou. Com isso, entrei para o círculo de amigos e conheci muita gente, inclusive Gulis e Érico. Fizemos alguns shows, eu gostava/gosto muito daquele tempo. Eles me ensinaram muita coisa e, sem eles, não estaria aqui.
PUNKnet – Você também toca no projeto solo do Érico Junqueira, o Valentin. Conta um pouco para a gente dessa experiência.
Neko - O projeto “Valentin” começou com o Érico tocando sozinho. Violão e voz. Uns meses depois, ele me convidou para tocar violão junto com ele. Fiquei muito feliz com o convite, pois sempre gostei das músicas dele e poder acompanhar de perto é genial. Como já tocamos juntos na Doyoulike?, o entrosamento ficou fácil. Já fizemos diversos shows pelo Rio Grande do Sul e um show em São Paulo.
O projeto é dele, então a minha responsabilidade é tocar. Com isso, tento fazer da melhor maneira possível e seguir sempre nos shows. Gosto muito mesmo de fazer isso, é uma válvula de escape para o barulho da vida e para solidão do meu quarto, quando não tem shows da Doyoulike?.
PUNKnet – Qual foi o momento mais marcante da sua vida de músico até hoje?
Neko - Um momento é muito pesado. Tem vários deles espalhados por todos os cantos da memória. Vou citar um momento que, na hora, foi ruim. Hoje, me faz um bem tremendo. Lembro que as coisas andavam bem para caramba, ensaios, música tocando, shows e tudo mais…Mas tinha algo entre nós quatro que não estava indo bem. Grande parte disso era minha culpa.
Sentamos os quatro e todo mundo botou para fora o que precisava falar, tiramos todos os pesos das costas. Sabíamos que isso é a nossa vida e acertamos tudo. Fiquei meses refletindo e digerindo tudo. Se hoje estou na música e vivo com os três melhores caras que já conheci, é porque nesse dia enxerguei muito mais que uma banda. Estava com irmãos me acompanhando nessa vida. Hoje, o barco segue. Mais forte que ontem, mais fraco que amanhã!
PUNKnet – Você tem algum show que ficou marcado como um dos mais especiais na sua memória?
Neko - Todos de Santa Maria, 1º Planeta Atlântida e o lançamento do Coleção. Para não dizer TODOS.
PUNKnet – Você tem alguma paixão além da música?
Neko – Tudo o que eu faço envolve a música. Mas tenho paixão pelo Matrimônio (casamento), pretendo casar ter meus filhos e tudo mais. Amo todos os meus amigos, amo viver, acordar todo dia e ter para onde ir e para onde voltar.
PUNKnet – Quais os planos para o futuro?
Neko - Tocar por todos os cantos desse mundo. Lançar mil CD’s e viver tudo que a vida botar do outro lado da página. A Doyoulike? pretende gravar clipe novo na sequência, fazer shows de lançamento em outras cidades/estados e por aí vai.
PUNKnet – Esse espaço é seu. Deixe uma mensagem para todo mundo que leu essa entrevista.
Neko - Muito obrigado por me convidarem. Fiquei super honrado, de verdade.
Vivam mais, não pensem no que poderia ser feito, FAÇA!
Por: Rômulo Oliveira - @romulo_oliver


















