Além dos Acordes #34 – com Eduardo Andrade, do Questions

Punknet 27 de junho de 2012

Edu Andrade, vocalista do Questions, bateu um papo com a PUNKnet sobre música, influências, turnês internacionais, amizades e a vontade de mudar o mundo.

Foto por: Bruno Torrez

PUNKnet - Edu, como foi o seu primeiro contato com a música?

Edu Andrade - Foi com o meu irmão mais velho, desde criança eu via ele ouvindo Queen, Iron Maiden, AC/DC e etc. Me lembro que foi com 11, 12 anos de idade que coloquei o primeiro disco da minha vida para ouvir: AC/DC, Back in Black…pirei!

PUNKnet – Conta um pouco para a gente como nasceu o Questions e qual a importância na sua vida.

Edu Andrade - O Questions nasceu em fevereiro de 2000. Eu e o Pablo (guitarra) que montamos a banda…12 anos se passaram e a importância que esta banda tem na minha vida seria de um filho, não tenho filhos ainda, mas tenho certeza que o Questions é um sentimento paterno, que me deu muitas alegrias de conhecer lugares que nunca iria conhecer trabalhando em um banco.

PUNKnet – Você já fez turnê pela Europa. Conta para a gente como foi essa experiência.

Edu Andrade - Como disse aí na resposta anterior, o Questions me deu muitas alegrias e uma delas foi ter conhecido países que não imaginava conhecer com um trabalho normal. Europa e Rússia foram um dos tops de satisfação do que é ter uma banda underground fazendo todas as coisas no mais puro estilo “faça você mesmo”, que herdamos do punk/hardcore. Lugares e amizades que duram até hoje. Não ganhamos dinheiro com a banda, mas bagagem cultural e amizades europeias e russas não tem preço!

PUNKnet – Qual a principal diferença que você notou entre os shows aqui e fora do Brasil?

Edu Andrade - Os shows daqui tem muita pouca infraestrutura, o dono da casa de show não investe em equipamento, as bandas que vão tocar nesses locais, assim como a nossa, é tratado com desprezo e falta de profissionalismo. Já na Europa e Russia são diferente as coisas, já para começo de conversa você é tratado como artista, o equipamento dá de dez nos show daqui e geralmente você ganha cachê, rango e suporte. Na Russia é um pouco mais escasso, só que nem se compara com a maioria dos shows daqui, ainda mais essa, tem publico fanático em querer ver a sua banda!

PUNKnet – E por falar nisso, já são mais de dez anos de Questions. Quais foram os seus maiores aprendizados nesse tempo todo de banda?

Edu Andrade - O maior aprendizado foi ver que o hardcore é um conjunto de pessoas que tem um mesmo ideal: respeito, amizade e troca de ideias ao redor do mundo. Tivemos esses aprendizados, vimos muitas coisas nestas três turnês europeias e duas russas em que ficamos muito felizes de poder veruma tattoo do Questions na pele de um alemão e ele vindo dizer pra nós que fez pelo simples fato de sermos uma banda em que ele confia na amizade verdadeira conquistada pelo hardcore, UNION AND RESPECT! Isto, por mais que seja utópico, acreditamos, e tem gente pelo mundo que tem o mesmo sentimento.

PUNKnet – Fala um pouco para a gente do processo de produção e gravação do Life Is A Fight.

Edu Andrade - Life is a Fight foi produzido e gravado no Estudio Rocha com o Fernando Sanches na produção. Gostamos de gravar lá, pois conseguimos passar para o CD o mesmo som que tentamos ao vivo, cru e direto! Não gostamos de super produções e é claro que nunca teríamos dinheiro para isto. Na nossa opinião tem que ser assim, um CD curto e direto, tentando transmitir a mesma intensidade que rola em um show ao vivo legal.

PUNKnet – Como começou e como é hoje sua amizade com o Iggor Cavelera.

Edu Andrade - Sempre fomos fãs dos irmãos Cavalera, desde a época do clássico Sepultura, íamos em vários shows dos caras, no final dos anos 80 fomos em todos shows que eles faziam em São Paulo, tirando algum autógrafo aqui e outra foto ali…a troca de fãs para uma amizade duradoura aconteceu em 2002. O Iggor Cavalera tinha ouvido nosso CD single e disse “que pirou no som e na arte”, mandou um email para a gente querendo camisetas e perguntando quem tinha feito a arte do disco. O Pablo respondeu para ele na hora, levamos algumas camisetas e dissemos que a arte foi feita por mim e diagramada pelo Pablo. Não demorou muito para o Pablo e eu fazermos a capa do Revolusongs e partir dai tocarmos com o Sepultura em dois shows, participação no nosso disco e etc.

Ficamos contentes que a amizade está até hoje, vamos na casa dele e inclusive tivemos a felicidade de realizar o sonho de muleque cantando uma musica com o irmão del,  Max e o próprio no show do Soufly no começo deste ano.

PUNKnet – Explica para gente o que é o Revolback.

Edu Andrade - REVOLBACK é o nome que dei para os meus desenhos e intervenções que faço na rua. Eu dei este nome em 98,99, tive a ideia quando eu vi um jornal dos Panteras Negras em um site da internet que continha uma frase de protesto REVOLUTION BACK onde a comunidade negra revindicava direitos iguais nos Estados Unidos racista do final dos 60.

Junto com isso a street art no final dos 90 estava pegando na Europa e Estados Unidos e era uma coisa totalmente nova, não sendo só o conceito do spray/graffiti/hip hop, era uma nova geração que estava fazendo arte DO IT YOURSELF nas ruas com colagens de cartazes, stencils e spray. Era uma galera mais voltada para o punk, hardcore fazendo expos e intervenções, via muitas bandas de hardcore em que os próprios integrantes faziam as capas, artes e tudo mais. Não pensei duas vezes, peguei toda esta influência e comecei a minha piração.

PUNKnet – O que você costuma fazer nos finais de semana que não tem shows e nem gravação?

Edu Andrade - Pintar, desenhar e fazer bases para o Questions.

PUNKnet – Você parece ter uma opinião bem forte em relação à política e justiça no Brasil. Como você acha que a música pode interferir nessas questões sociais?

Edu Andrade - A música e a arte na minha opinião são referências ideológicas e caminham lado a lado no quesito de alguém que esteja descontente com o que acontece pelo mundo e ao seu redor. Nelas você pode expressar o seu sentimento de revolta, apatia e etc. Você pode influenciar pessoas que pensam como você, pode unir, fazer amizades e construir algo em que você acredita, não se deixando levar pelo que dizem na TV ou no jornal.

PUNKnet – No seu MP3 Player, o que tem tocado?

Edu Andrade - Sick of it All sempre, Exploited, Descendents, Inocentes, Ratos de Porão, Motorhead e etc. Vamos fazer um álbum de covers, então estou ouvindo só velharias que me influenciaram, heheh. Mas no meu aparelho de DVD toca Nick Cave, The Smiths, Sepultura antigo, Metallica, Refused, Fugazi, Neubauten e etc.

PUNKnet – Um show, uma música e um clipe que marcou você.

Edu Andrade - Show: Fugazi em 94, no Aeroanta, e Sick Of It All, em 95 na Barra Funda.

Música: AC/DC, “Let There Be Rock”, uma criança assistindo isto como foi no meu caso, fica impressionado ao ver o Anguns Young balançando a cabeça, fica na memória o resto da vida.

Clipe: Madball down by Law, este foi um dos clipes que mais assisti na minha vida. Isto foi em 94/95.

PUNKnet – Uma paixão fora a música?

Edu Andrade – Arte e pintar

PUNKnet – Quais os planos para o futuro?

Edu Andrade - Tocar em países que nunca fomos, fazer amizades duradouras e levar a vida respeitando os outros e ser feliz a todo momento.

PUNKnet – Esse espaço é seu. Deixe uma mensagem para a galera que leu essa entrevista.

Edu Andrade - Valeu galera, se você chegou até aqui é porque sente admiração ou respeito pelo Questions, então agradeço de coração pois esta banda foi feita por garotos assim como você, curiosos em saber o que estava pegando e que tentam mudar o mundo ou o que está em volta de alguma forma, não aceitando tudo o que impõem para nós, seja patrão, televisão, sociedade e etc.

FIGTH FOR WHAT YOU BELIEVE!

Abraços e valeu.

Por: Rômulo Oliveira - @romulo_oliver