Mateus convida…
Queridos amigos, estou escrevendo essa coluna na sexta, pois não sei como estarei na quarta-feira. Sabe como é Carnaval no Rio, né? PURA AGITAÇÃO! Rio is the new Salvador.
Na verdade eu convidei um amigo meu muito resmunguento para escrever a coluna de hoje. Vou convidar VOLTIMEIA uns amigos. Você é meu amigo é quer ter um texto seu publicado aqui? Me manda um telegrama, uma carta de amor… ah Exalta!
Sem mais enrolações, vos apresento Bernardo Kamnitzer, o Bruce Willis carioca! Muitas reclamações da cena do Rio de Janeiro por um camarada old school.
Até semana que vem com minhas habituais reclamações. Fui pro bloco! Me segura Preta Gil!
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Conversando com o Mateus sobre a última coluna dele (aproveito para dar os parabéns, alegrou o meu dia e de várias outras pessoas, com certeza) ele teve a ideia de jerico de me convidar para escrever, a qual eu acetei de imediato. Não é sempre que alguém não pensa na merda que está fazendo em dar o seu espaço para outra pessoa falar o que pensa. Para piorar me deu a seguinte missão: “Bernardo, escreve sobre o que você acha sobre a cena atual brasileira, citando bandas.”
Piada, né? Cena atual? Aonde? Teteu, filho, isso não existe não… Acorda pra vida! No Rio então, acho que isso nunca existiu. O que acontecia era um quadro muito mal pintado do que deveria ser uma cena de rock por aqui. Mas não falo das bandas, falo da falta de apoio que sempre foi um fantasma nas vidas de quem tocava nos tempos do bug do milênio… As casas que tinham como abrigar shows bons cagavam na cabeça das bandas que queriam fazer algo e as obrigava a tocar em saraus de colégios – normalmente eram as melhores oportunidades que se tinha para tocar para um público descente, com som (tem retorno! Eu me ouço!) bom.
As bandas daquele tempo – nem me venha com o discurso de que eu sou saudosista não. Era diferente mesmo. Ponto final – se preocupavam em fazer música de qualidade com as ferramentas disponíveis. Hoje é tudo muito fácil. Baixa a porra de um ProTools, pede pro papai comprar uma mesa de som e um computador bom e voilà, mais uma banda de merda emporcalhando os ouvidos alheios.
Claro que havia pérolas. Ninguém aqui há de negar que o Leonardo Castilho nos vocais do Skore era duro de escutar. Tanto que sabiamente o Vixx assumiu o posto e passou, tempos depois, para o Belém. Perdão do Opallas era cantado no final dos shows com o intuito de se desculpar mesmo. Por tudo que fez o público passar. Marx e Renan, me amarro em vocês, mas a banda, pra mim, não dava não. O próprio Dandara, do meu irmão Vitinho, era insuportável no começo. Se encontrou durante todo esse tempo de estrada, mas foi por um caminho que não me agrada. Essas influências de math rock do Victor, pra mim é anti-música… Compassos de 434 por 1029? Na boa né? Mas tem qualidade e há quem goste. O Smut (banda da qual eu fiz parte com o Mateus) também tinha defeitos. A nossa ideia de tocar o metal mais maldoso do universo, várias vezes serviu pra criar discórdia e arrebentar com alguns amps por aí.
Essa galera toda podia ter seus momentos ruins, mas fazia por onde e tinha qualidade. Mas e hoje? Hoje o que existe é uma cambada de sem noção, que comprou uma guitarra ontem e já se acha a barra do AC/DC. Pelo amor do belo Deus que não existe, não fodam a minha paciência. Não adianta, caro amiguinho, você gastar um dinheiro do cacete com equipamento e juntar seus coleguinhas para gravar na Puta que Pariu records, porque o resultado disso será, nada mais nada menos, que uma merda bem gravada. Antes de comprar uma Gibson americana que te serve até cerveja e acende seu cigarro, gasta essa grana ouvindo música primeiro. Ninguém sai correndo sem saber andar, bonitão. Portanto não me venha com a brilhante ideia de ligar pra um estúdio e falar “quero uma gravação igual a do Metallica, você faz pra mim?” como fizeram com o nosso querido Bil do Zander. “Traz os equips do Metallica e a galera da banda que eu gravo igualzinho” foi a resposta.
Sabe o que é pior? É ver algumas bandas que, não sei como, ficaram famosas e ainda dão a cara a tapa pra tomar desaforo. Bandas que são, infelizmente,influencias das que estão nascendo. Como aconteceu com o Los Hermanos. Mais precisamente com o Bruno Medina, tecladista do grupo, que se fez de ofendido e publicou uma carta para o Michel Teló. Até aí tudo bem… Ninguém gosta dessa merda. O problema foi tomar no ** com a seguinte resposta:
Medina, Medina, assim você me mata!
Quem te vê falar assim comigo não sabe o que é se vender.
Ter que ver você assim sempre barbado.
Contemplar a inveja em teu olhar,
você pegando ar.
Com certeza é rancor
por não estar fazendo naaadaaa,
nem lançando um disquinho
com o seu tecladinho
enquanto eu ganho trinta milhão.
Ô RodriggoMedinaaaaa… Ô RodriggoMedinaaaaa…
Nunca acreditei que convivesses com gente desse tipo,
que passa o reveillon ouvindo o meu hit.
Você passando a noite a me escutar,
o que não faz o Jabá?
Quando tudo chegou ao fim,
sua mulher canta a música de um cara
que não faz seu estilo
te atingiu como um espinho
feito dor de traaaiiiiçããão.
SorryMedinaaaaa… SorryMerdinaaaaa…
Sei que nessa noite você se embriagou.
Sei que você nunca gostou de mim.
Eu sei que a dancinha uma hora te pegou…
Foi até o chão. Ai, Medinininha, você me mata assiiiiim!
Ô BrunnoDelíciaaaaaa… Ô BrunnoDelíciaaaaaa… Ô BrunnoDelíciaaaaaa…
Eu te peguei, peguei, peguei…
Até a Pitty sabe maluco… Quem não tem teto de vidro …
O resumo da parada é a seguinte, Mateus: Não tem cena atual e, salvo raríssimas exceções, não tem banda boa atual. Me desculpem os que se auto julgam a salvação do rock nacional, mas vai comer bastante feijão com arroz, ouvindo CD de rock de verdade, porque fazer musica merda e ficar sentado no facebook reclamando que nada muda, definitivamente não é o caminho. Com música que presta, hoje em dia, você rapidinho aparece nas conversas de quem gosta e sabe do assunto, só no boca a boca.
Abs e até, quem sabe, uma próxima vez !
Convidado: Bernardo Kamnitzer
Por Mateus Simões – @mateusonese














