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Dead Fish em Vitória – Reencontro da Formação Original

Renata Py | 13/01/2018 | Comentários desativados em Dead Fish em Vitória – Reencontro da Formação Original | Matérias, Notícias

Uma explosão de nostalgia. Vitória, a pacata capital do Espírito Santo, ficou pequena para tamanha energia que se concentrou em frente ao bar Motor Rockers, nesta quarta dia 10 de janeiro de 2018. Na cara de todos, a ansiedade de presenciar um reencontro inesperado: depois de 22 anos, a formação original da banda Dead Fish se juntou para relembrar os velhos momentos.

Dead Fish original show2

Rodrigo no vocal, seu irmão Thiago no baixo, Gustavo ‘Arroz’ e Marcel nas guitarras, e Leandro ‘Nô’ na bateria. O primeiro line up de um grupo com uma legião de fãs que os acompanha Brasil afora, jovens e adultos que tem sua música como trilha sonora e até estilo de vida. Música rápida e com raiva, música ‘de protesto’ saída de um lugar não muito acostumado a isso. Arte duradoura dos filhos bagunceiros da cidade.

O tempo passou, os rumos se divergiram. O Rodrigo e o Nô seguiram juntos na banda até a saída do baterista em 2008. O Rodrigo ainda é o frontman e a cara do Dead Fish, enquanto o Nô é dentista e toca outros projetos musicais. O Arroz continuou com o punk rock em outras bandas da cidade, e hoje é chef e empresário em Vitória. O Marcel se inclinou para a música eletrônica, tocou muito com o Zémaria, e hoje é um produtor ativo na Alemanha. Já o Thiago, nunca mais havia tocado baixo. Até essa quarta.

Às 18h as pessoas já chegavam em frente à casa, um bar de cervejas do próprio Arroz. Clima de reencontro rolando, fotos abraços e lembranças compartilhadas aos risos. Quando começou a primeira das duas sessões, de repente engenheiros médicos professores advogados voltaram aos seus 16 anos, com um set de quinze músicas das primeiras demos e gravações da banda. Velharias no som e na platéia.

O Rodrigo sentia-se em casa, igual um garoto de férias. Só não tinha tanto espaço para os seus pulos e chutes usuais. O Nô e o Arroz, que também estão sempre tocando, não devem ter tido problemas para pegar as músicas. Já o Marcel não parecia tão confortável, com os dedos cheios de cola biodegradável para fechar os cortes de corda. Os anos como DJ e produtor pesaram na velocidade da tocada, mas com certeza, só por aquela noite, para ele estava sendo um prazer. O Thiago foi a grande surpresa. Duas décadas sem tocar, e levou o show numa boa. Concentrado, mas se divertindo. Eles erraram nas músicas? Sim, várias vezes. A galera percebeu e se importou? Não, nem um pouco.

Dead Fish original show1

Ao fim da primeira sessão a calçada da casa estava lotada. Pessoas esperando sua vez de entrar para a segunda rodada, e pescoçudos com a cara colada no vidro do bar tentando pegar o que fosse possível. Com apenas 60 ingressos disponíveis para cada sessão, muita gente não conseguiu ver de frente esse evento místico e ficou recebendo de fora a energia que pulsava dentro do bar.

Na segunda sessão, a mesma festa. Trintões e quarentões moshando. De fora só conseguíamos ouvir os ruídos das músicas e os gritos quando cada uma delas acabava. Do lado de fora, continuavam os reencontros. Muita cerveja e risadas rolando, enquanto os moradores do bairro olhavam assustados da padaria em frente.

Particularmente, eu posso dizer que dei sorte. Sou capixaba e presenciei os primeiros anos do Dead Fish. Talvez até tenha visto essa formação tocar na velha Camburi Vídeo. Honestamente não me lembro, era muito novo e shows de hardcore ainda eram muito caóticos para que eu entendesse alguma coisa. Porém, essa semana aquelas possíveis lembranças se concretizaram na mente. Pude ouvir aos pulos e trombadas “Damn Lies”, “Third World Friendship”, “Social Agression”, o hino “Just Skate”…e várias outras músicas que haviam ficado apenas nos fones e players de cada fã. Porque ali no Motor Rockers, aquilo que a galera viu foi real e ao vivo, e então pareceu 1994 tudo de novo.

 

Texto e fotos por Vitor Malheiros

 

 

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