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Descendents – São Paulo

Punknet | 04/12/2016 | Comentários desativados em Descendents – São Paulo | Matérias

2016 com certeza ainda está sendo um ano de fortes emoções, uma montanha russa de sentimentos. Um resumo disso foi esse primeiro final de semana do mês de dezembro em que tivemos um dos grandes nomes do punk pisando em terras brazucas. A tão esperada vinda da banda Descendents (20 anos para ser mais exato), com certeza abalou muita gente desde o seu anúncio, com mudança de local, esgotamento de ingressos a abertura de uma data extra. Sobre a data extra, que veio a se tornar a primeira apresentação, ironicamente após grande alvoroço, ainda contava com ingressos disponíveis na porta.

 

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Foto: Jean Silva

Pois bem, falemos do dia 02/12/2016: Cheguei um pouco atrasado no evento, mas consegui pegar a metade da apresentação da banda Direction (SP) e gostaria de dizer que quem ficou lá fora tomando cerveja esperando a hora da banda principal, perdeu um grande show (pra variar). Sempre vou achar uma grande contradição no público brasileiro esse lance de não entrar mais cedo no show porque a banda que vai abrir “toca sempre em algum pico da cidade”, mas quando esses shows rolam, muitos não fazem questão de comparecer. Enfim, os poucos que estavam presentes com certeza não se arrependeram da apresentação da Direction. Um ponto importante no qual guardei com enorme respeito, foi o discurso do baixista Thiago a qual trago a vocês: “Às vezes eu vejo muita gente que come carne e fala ‘ah, eu sou simpatizante dos animais, eu acho legal você ser vegan” mas a pessoa ainda continua comendo carne e na boa, eu não preciso de alguém que come carne pra dizer como eu devo ou não ser vegan, da mesma forma que uma mulher não precisa de nenhum cara dizendo como ela deve ser feminista ou não. O melhor que a gente faz é sair do caminho das pessoas e deixar que elas lutem por si só, acho que isso vale para todos os aspectos da sociedade que a gente vive, deixando as minas lutarem por elas, deixando quem é vegetariano lutar pela libertação animal. A melhor ajuda que você faz para uma pessoa que está lutando por algo que ela acredita, é: primeiro não atrapalhar, segundo: refletir suas atitudes, falar com seu brother aí do lado, tipo, quando passar uma mina e o cara: “Porra, que gostosa hein?”, e você falar: “Pô meu irmão, você acha que a mina gosta de ouvir isso?”. Isso é uma merda, sabe? É essa auto reflexão diária… Não é da noite para o dia, não é daqui um mês, quem sabe daqui um ano. É uma luta diária, a gente chegar em casa e pensar um pouco no que faz da vida e principalmente não atrapalhar quem quer lutar por si só”.

 

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Foto: Jean Mix

Sem atrasos e me surpreendendo, quem subiu ao palco foi o power trio espanhol Berri Txarrak, que até então eu não conhecia, mas pude conhecer da melhor forma possível, ao vivo. Foi um show sensacional, composições melódicas e pesadas da banda somaram a interação com o público, que acompanhou timidamente, com um ou outro filmando e curtindo, enquanto alguns apreciaram e conheceram a banda. A casa ainda estava meio vazia durante a apresentação da Berri Txarrak, o que facilitava para esse que vos escreve porque além da missão da resenha, eu precisava garantir as fotos desse grande dia que infelizmente estavam liberadas apenas a serem feitas da pista. Encerrando sua apresentação já com a casa quase cheia e com a certeza missão cumprida, a banda Berri Txarrak deixou o palco para que começasse a preparação do show principal. Durante meia hora o público tentava se distrair com a discotecagem e cervejas, mas ansiosos, com os olhares fixados ao palco, afinal, o que são 30 minutos perto de 20 anos?

 

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Foto: Jean Silva

Eis que então a cortina sobiu e eles entraram juntos, com sorriso estampado no rosto, o público vibrou, minha primeira impressão junto aos comentários ao meu lado foram “Cara, como eles estão tiozões”. Milo cumprimentou o público, falou sobre o cancelamento do seu voo no dia anterior e comentou brevemente o atual cenário político e na sequência puxou “Everything Sucks”. Daí em diante a situação saiu do meu controle, público eufórico agitando e cantando muito, eu espremido com a câmera na mão e o Descendents lá em cima do palco, dando aula, com um fôlego absurdo mesmo sendo os “tiozões” que comentávamos, emendando clássicos e músicas do novo álbum. Acredito que o primeiro show foi como preparar o Tropical Butantã para o que viria no dia 03/12, que com certeza traria ainda mais gente para o show. Nas considerações finais, digo que quem não entrou cedo, perdeu uma grande oportunidade, quem não pode estar presente nos dois dias de show, eu torço pra que o Descendents não leve mais duas décadas para voltar.

 

Foto: Jean Silva

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