Entrevista com Rodrigo (Vocal) do Chuva Negra

Punknet 29 de janeiro de 2012

Chuva Negra. Com esse nome sombrio, nasce uma das maiores revelações do underground nacional dos últimos tempos. Apresentando sonoridade pesada e poesia berrada, o Chuva vem já se consolidando como uma das principais promessas para 2012. Com músicos já carimbados no meio, a maturidade nas composições e a melodia nos arranjos são evidentes. Para quem estava com saudade de um som sincero e guitarras estridentes, esta aí de bandeja uma excelente pedida.

O PUNKnet bateu um papo com Rodrigo ‘Chinho’ (vocais e ex-Fullheart), que contou um pouco sobre o disco de estreia, batizado por Terapia (2011), sobre a cena, crescer no independente e um pouco de tudo. Enjoy!

Foto por: Wander Willian

PUNKnet – Pra começar pelo começo, de onde vem esse nome “Chuva Negra”?

Pra mim é o nome de um filme, e só. Depois eu vi que é o nome de um monte de coisa. Nome de banda é isso aí, é tipo tatuagem, pra você é genial, pra quem vê é ridículo.

PUNKnet -  Terapia, de 2011, disco debut do Chuva. O que esse disco representa pra banda?

É foda transformar isso em poucas palavras. Tem muita coisa ali, sempre tem. Falando de forma genérica e pouco poética, aquilo ali sou eu, o Gabs, o Thiago, o Matheus e o Marcelo se trombando na Zona Norte pra fazer um som, essa é a nossa terapia.

PUNKnet -  Ainda falando do disco, como foi isso do rolo com a Pisces Records e o Ulysses, o proprietário da gravadora, pro lançamento do Terapia?

Resumindo, a gravadora iria dividir os custos da prensagem do disco e cuidar da distribuição. Só que o dono não deu as caras por um bom tempo, sumindo com nossa parte da grana. Depois de muita luta do nosso setor de cobrança capitaneado pelo Matheus, o sujeito apareceu e devolveu o dinheiro, eis que lançamos por conta própria no último dia 04 de Dezembro.

PUNKnet - A primeira música do disco, “Pelo vale da sombra”, soa como um verdadeiro desabafo. Estar afastado do underground faz mal?

Não sei se faz, mas pra mim fez. Isso não é toda minha vida, mas é uma grande parte dela. Você deve saber, é clichê ficar explicando isso. Eu dediquei metade da minha vida ao punk, então não tem mais volta, não posso simplesmente chegar amanhã e dizer “foi uma fase da minha adolescência”, seria uma mentira fudida.

PUNKnet - Tempo desses, eu tive mostrando o som de vocês aqui pra uns amigos do nordeste, os mais antigos, e ficaram impressionados, e felizes, como ainda tem gente fazendo som à origem da coisa, com guitarras pesadas, berros e emoção nada transgênica. Porque, afinal, ir contra a correnteza e investir nesse tipo de som?

Eu já não uso mais essa viés de estar me sacrificando pela coisa, tipo “olha, eu sofro para ajudar a construir uma cena”, a gente faz esse som porque a gente se alimenta disso, a gente não sabe tocar outra coisa, somos músicos ruins e sabemos disso. Que bom que vocês no Nordeste curtiram. Entendeu porque continuamos nessa? Porque vocês aí no Nordeste curtiram, isso é alimento pra alma.

PUNKnet - Nas composições, dá pra perceber muita maturidade e uma ótica mais adulta da vida. Se, por um lado, a juventude é muito mais explosiva, a maturidade traz mais equilíbrio. Como é compor nessas duas fases da vida?

Oh sim claro, como não? Quem me vê sabe o quanto eu sou equilibrado!

PUNKnet - “Estamos aqui, chuva negra” é de uma delicadeza excepcional. É negativa e positiva ao mesmo tempo. Tem algo mais explicativo sobre ela?

Obrigado pelos adjetivos, mas não curto muito explicar letra, eu posso estragar tudo.

PUNKnet - Uma característica marcante especialmente nas composições da banda é a sinceridade. Não rola um certo medo de se expor com tanta sinceridade evidente?

Eu passei a vida fazendo escolhas não-convencionais e hoje eu vejo que tenho que pagar o preço por elas, e pago com prazer. Me expor sem censura é o jeito que eu achei de exorcizar todo o peso dessas escolhas, é como dizer “olha, esse sou eu, você compra se você quiser, não vai dizer que eu não avisei”.

PUNKnet - A sonoridade lembrou-me bastante o finado Fullheart. Qual a relação entre as duas bandas?

A relação é que eu cantei nesta outra banda por muitos anos, entendo e aceito quem compara. Nós temos uma boa relação entre os integrantes, inclusive o Otávio “Boi”, ex-guitarrista do fullheart foi quem produziu o disco, o Douglas, que foi o último baterista do Full, tocou no começo do Chuva, e o Janjão, o último baixista do Full, é roadie do Chuva. São essas a relações.

PUNKnet - Já tem turnê, alguma data marcada pelo Brasil?

Encerramos os shows de 2011 no último domingo, no Hangar, com o Dead Fish. Foi fera-neném. Ano que vem lançamos um EP durante o verão e começamos uma nova maratona de shows com início em Criciúma (SC) e nosso planos vão só até aí, espero poder vê-los aí no NE um abraço à todos!

PUNKnet – Grato aí pela atenção, e podem mandar o recado final aí pra galera.

Quer conteúdo? Vai ouvir Rappa. Obrigado Martin, amigos velhos do NE e PUNKnet.

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Por: Martin Diaz Langou - @MartinLangou