Chuva Negra. Com esse nome sombrio, nasce uma das maiores revelações do underground nacional dos últimos tempos. Apresentando sonoridade pesada e poesia berrada, o Chuva vem já se consolidando como uma das principais promessas para 2012. Com músicos já carimbados no meio, a maturidade nas composições e a melodia nos arranjos são evidentes. Para quem estava com saudade de um som sincero e guitarras estridentes, esta aí de bandeja uma excelente pedida.
O PUNKnet bateu um papo com Rodrigo ‘Chinho’ (vocais e ex-Fullheart), que contou um pouco sobre o disco de estreia, batizado por Terapia (2011), sobre a cena, crescer no independente e um pouco de tudo. Enjoy!
PUNKnet – Pra começar pelo começo, de onde vem esse nome “Chuva Negra”?
Pra mim é o nome de um filme, e só. Depois eu vi que é o nome de um monte de coisa. Nome de banda é isso aí, é tipo tatuagem, pra você é genial, pra quem vê é ridículo.
PUNKnet - Terapia, de 2011, disco debut do Chuva. O que esse disco representa pra banda?
É foda transformar isso em poucas palavras. Tem muita coisa ali, sempre tem. Falando de forma genérica e pouco poética, aquilo ali sou eu, o Gabs, o Thiago, o Matheus e o Marcelo se trombando na Zona Norte pra fazer um som, essa é a nossa terapia.
PUNKnet - Ainda falando do disco, como foi isso do rolo com a Pisces Records e o Ulysses, o proprietário da gravadora, pro lançamento do Terapia?
Resumindo, a gravadora iria dividir os custos da prensagem do disco e cuidar da distribuição. Só que o dono não deu as caras por um bom tempo, sumindo com nossa parte da grana. Depois de muita luta do nosso setor de cobrança capitaneado pelo Matheus, o sujeito apareceu e devolveu o dinheiro, eis que lançamos por conta própria no último dia 04 de Dezembro.
PUNKnet - A primeira música do disco, “Pelo vale da sombra”, soa como um verdadeiro desabafo. Estar afastado do underground faz mal?
Não sei se faz, mas pra mim fez. Isso não é toda minha vida, mas é uma grande parte dela. Você deve saber, é clichê ficar explicando isso. Eu dediquei metade da minha vida ao punk, então não tem mais volta, não posso simplesmente chegar amanhã e dizer “foi uma fase da minha adolescência”, seria uma mentira fudida.
PUNKnet - Tempo desses, eu tive mostrando o som de vocês aqui pra uns amigos do nordeste, os mais antigos, e ficaram impressionados, e felizes, como ainda tem gente fazendo som à origem da coisa, com guitarras pesadas, berros e emoção nada transgênica. Porque, afinal, ir contra a correnteza e investir nesse tipo de som?
Eu já não uso mais essa viés de estar me sacrificando pela coisa, tipo “olha, eu sofro para ajudar a construir uma cena”, a gente faz esse som porque a gente se alimenta disso, a gente não sabe tocar outra coisa, somos músicos ruins e sabemos disso. Que bom que vocês no Nordeste curtiram. Entendeu porque continuamos nessa? Porque vocês aí no Nordeste curtiram, isso é alimento pra alma.
PUNKnet - Nas composições, dá pra perceber muita maturidade e uma ótica mais adulta da vida. Se, por um lado, a juventude é muito mais explosiva, a maturidade traz mais equilíbrio. Como é compor nessas duas fases da vida?
Oh sim claro, como não? Quem me vê sabe o quanto eu sou equilibrado!
PUNKnet - “Estamos aqui, chuva negra” é de uma delicadeza excepcional. É negativa e positiva ao mesmo tempo. Tem algo mais explicativo sobre ela?
Obrigado pelos adjetivos, mas não curto muito explicar letra, eu posso estragar tudo.
PUNKnet - Uma característica marcante especialmente nas composições da banda é a sinceridade. Não rola um certo medo de se expor com tanta sinceridade evidente?
Eu passei a vida fazendo escolhas não-convencionais e hoje eu vejo que tenho que pagar o preço por elas, e pago com prazer. Me expor sem censura é o jeito que eu achei de exorcizar todo o peso dessas escolhas, é como dizer “olha, esse sou eu, você compra se você quiser, não vai dizer que eu não avisei”.
PUNKnet - A sonoridade lembrou-me bastante o finado Fullheart. Qual a relação entre as duas bandas?
A relação é que eu cantei nesta outra banda por muitos anos, entendo e aceito quem compara. Nós temos uma boa relação entre os integrantes, inclusive o Otávio “Boi”, ex-guitarrista do fullheart foi quem produziu o disco, o Douglas, que foi o último baterista do Full, tocou no começo do Chuva, e o Janjão, o último baixista do Full, é roadie do Chuva. São essas a relações.
PUNKnet - Já tem turnê, alguma data marcada pelo Brasil?
Encerramos os shows de 2011 no último domingo, no Hangar, com o Dead Fish. Foi fera-neném. Ano que vem lançamos um EP durante o verão e começamos uma nova maratona de shows com início em Criciúma (SC) e nosso planos vão só até aí, espero poder vê-los aí no NE um abraço à todos!
PUNKnet – Grato aí pela atenção, e podem mandar o recado final aí pra galera.
Quer conteúdo? Vai ouvir Rappa. Obrigado Martin, amigos velhos do NE e PUNKnet.
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Por: Martin Diaz Langou - @MartinLangou

















