Especial Sugar Kane 15 anos

Punknet 13 de fevereiro de 2012

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Criada em Curitiba em fevereiro de 1997, no último dia 10, a banda de hardcore Sugar Kane completou 15 anos de existência. Sendo um dos grandes nomes do underground brasileiro, já lançou nove álbuns de estúdio, mais alguns compactos, e além de shows pelo país todo, já fizeram turnês na Europa e Estados Unidos. Para comemorar os 15 anos, um DVD deverá ser lançado em breve, será o segundo da carreira da banda.

Tudo começou quando Junior (baixo) conheceu Félix (guitarra) no prédio em que moravam. Na época nenhum dos dois sabia tocar, mas como tinham o interesse de montar uma banda, resolveram aprender. Félix estudava com Alexandre Capilé, que já tocava na banda Mandioca Radioativa e era amigo do Katatau, que tocava bateria e estava à procura de uma banda. Então Junior, Félix e Katatau marcaram de tocar juntos. No segundo ensaio deles Capilé também apareceu e foi então que decidiram formar o Sugar Kane.

No início o único propósito era tocar por diversão, por gostar do que faziam. Gravaram uma demo, que acabou sendo queimada e por isso não existe nenhum registro dela. Do som alternativo passaram a ter uma pegada mais hardcore, ensaiaram cerca de um mês as oito músicas que possuíam e gravaram a primeira demo oficial, “Hardcore Is The Limit”, em que a única faixa em português foi “Piteco no Buteco”, mas ainda ainda era algo mais ‘tosco’.

Praticamente todas as bandas de hardcore costumavam cantar em inglês, tanto pelas influências que recebiam como pela própria sonoridade. No começo do ano 2000 o Sugar Kane decidiu gravar a primeira música de verdade em português e então lançaram “Às Vezes Penso”, que teve uma boa aceitação do público.

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O primeiro cd da banda, “Once One Day”, foi lançado pela Barulho Records ainda em 2000. Foi fruto de um trabalho de dois anos e algumas músicas já haviam sido gravadas e estavamem coletâneas. Quandofecharam com a Barulho Records o resultado foram 12 faixas em inglês e um cd que teve um vendagem muito boa para os padrões de uma gravadora independente. Além disso o “Once One Day” abriu várias portas para a banda, aumentando significativamente o número de shows, incluindo abrir apresentações do No Fun At All.

A banda sofreu mudanças de guitarristas. Félix havia deixado o grupo e sido substituído por Alexandre Debs, mas em 2001 foi a vez de Ico assumir as guitarras. Em 2002, para o lançamento do segundo disco, “Por Nossa Paz”, a banda fechou com o selo capixaba Terceiro Mundo Produções Fonográficas. O Sugar Kane tinha metade das músicas em inglês e a outra metade em português, mas para manter a identidade da Terceiro Mundo em lançar cds em português, a banda trabalhou em mais algumas canções para manter um único idioma.

O disco em português foi muito bem recebido pelo público, que agora entendia melhor as letras e cantava junto nos shows. Segundo a banda, o importante é fazer o que gosta e não há restrições quanto ao idioma, a maneira que ficar melhor é como a música será gravada. E isso é algo que reflete até hoje nos trabalhos da banda, que ainda faz lançamentos em inglês.

“Por Nossa Paz” marcou um momento de transição e traz um dos maiores clássicos da banda, “Medo”. Também vale destacar a parte gráfica, com um encarte bem elaborado, acompanhado de todas as letras, fotos e informações sobre a banda.

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Em 2002 vieram também mais alterações na formação, Renê passou a ser o baterista e Vini o guitarrista. Já em 2003, o Sugar Kane lançou um dos seus trabalhos mais importantes, “Continuidade da Máquina”, via Urubuz Records. O disco trouxe um grande amadurecimento musical e fez com que a banda conquistasse de vez seu espaço na cena hardcore. Ao todo são 12 faixas que contaram com uma ótima produção e rendeu os clássicos “Janeiro” e “Velocidade”. O álbum “Continuidade da Máquina” foi lançado ainda na América do Sul e nos Estados Unidos.

Em 2004, o Sugar Kane inovou e lançou, via Urubuz Records, o primeiro registro em CD/DVD lançado por um selo independente no Brasil, o “469 DCM – Sugar Kane ao vivo no Hangar110”. O pioneirismo consagrou de vez a trajetória do grupo. Ao todo são 19 músicas, sendo 13 delas gravadas ao vivo no Hangar 110 (São Paulo) e as outras 6 em formato acústico, gravadas no Teatro Paiol (Curitiba). O DVD inclui também bônus de imagens de bastidores, produção e viagens.

O próximo disco saiu em 2005 com o título “Elementar” e foi mixado e masterizado nos Estados Unidos, o que rendeu ainda uma tour pela Califórnia. “Elementar” trouxe uma mudança no som da banda, com uma pegada mais alternativa. Apesar de toda a produção e qualidade final do trabalho, o cd não foi um sucesso de vendas. Ainda assim é considero um trabalho importante para o crescimento musical da banda.

Em 2006 o Sugar Kane lançou “Rudimentar”, com B-Sides de1997 a2005. É um registro de gravações históricas dos primórdios da banda, além de sobras de estúdio que ficaram de fora dos discos oficiais. As 26 faixas mostram a evolução da banda, passando por todas as suas fases.

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Nessa época a banda passou por uma má fase, estavam saturados, em falta de harmonia e desanimados com algumas coisas que acabaram não acontecendo, somado a isso, o disco “Elementar” foi um projeto mal trabalho que não rendeu muitos shows. Com isso, entraram em um hiato indefinido, mas voltaram no ano seguinte. A volta da banda não contou com Junior e nem com Renê. O primeiro estava distante do grupo por algumas divergências, já o segundo estava cansado da vida do rock. Os substitutos foram André Dea na bateria e Karacol no baixo.

Com a nova fase, o Sugar Kane mudou-se definitivamente para São Paulo, capital e logo em seguida lançou o álbum “D.E.M.O.” (Diversão Esquizofrênica Para Mentes Ociosas). É um disco simples e direto, gravado ao vivo em estúdio, e fruto dos registros musicais que Capilé fez junto com o Vini enquanto estavam afastados da banda. Destaque para a música “Divinorum”. O nome “D.E.M.O.”, é como se a banda estivesse começando de novo. O trabalho levou novamente o Sugar Kane para o topo das grandes bandas do cenário independente e rendeu premiações importantes. Com gás renovado, o Sugar Kane voltou com tudo.

No começo de 2009, Karacol deixou a banda para a entrada de Flavio e meses depois, Vini também anunciou que sairia, entrando Rick em seu lugar. No mesmo ano, no dia da Independência do Brasil, foi lançado “A Máquina Que Sonha Colorido”, via Olelê Music e Ideal Records. O disco é um dos melhores trabalhos dos caras e foi muito bem aceito, obetendo 24.000 execuções apenas no primeiro dia em que foi disponibilizado para audição online. Todos os clipes e materiais frutos desse trabalho tiveram boa repercussão na internet.

Foto por Luringa

Já em 2010, o grupo embarcou para a Europa para promover o lançamento do EP “Digital Native”, trabalho só com composições em inglês, sendo algumas delas versões de músicas já lançadasem português. A tour passou pela Alemanha, Holanda e República Tcheca, e assim como o EP, o repertório dos shows só contou com músicas em inglês.

No final de 2011, o Sugar Kane lançou o EP “Fuck The Emo Kids”, sendo a faixa-título em inglês e outras trêsem português. O EPfoi lançado em vinil pela Laja Records, e foi produzido de maneira crua, ao vivo em estúdio, com tudo rolando de maneira natural.

Para 2012, a banda já está preparando um DVD comemorativo dos 15 anos de carreira. E há muito que ser comemorado, pois sobreviver tanto tempo, enfrentando tantas dificuldades é um grande feito, principalmente para uma banda que se manteve independente durante todos esses anos.

Entre erros e acertos, o Sugar Kane trilhou sua história dentro do hardcore nacional e influenciou muitas bandas que vieram depois. Que eles possam continuar com seu rock por muito tempo, de forma sincera e engajada como sempre foi.

Por: Laís Ribeiro - @lahh_ribeiro