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Festa Laja Records no Estúdio Costella – Show do Merda – Por: Gabriel Coiso

Punknet | 10/12/2016 | Comentários desativados em Festa Laja Records no Estúdio Costella – Show do Merda – Por: Gabriel Coiso | Matérias

screen-shot-2016-12-10-at-9-25-28-pmFinal de ano, todo mundo de saco cheio da vida cronometrada nos relógios e calendários ao longo dos últimos onze meses. Ninguém mais aguenta olhar na cara de ninguém para nada. O que as empresas fazem? “Confraternização de fim de ano”, “Festa da firma”. Eventos em que os patrões entopem os empregados de bebida barata para “relaxarem”, “interagirem com menos tensão” – no fim das contas é beber à beça e falar verdades engasgadas ao longo do ano, brigar, segurar quem quer dar soco etc.

 
Foi esse clima festivo e gostoso que a Läjä Records proporcionou na última sexta feira (9/12/2016), no Estúdio Costella, em São Paulo – mas o patronato não pagou bebida nenhuma para ninguém. Para fazer o proletariado e o público consumidor da Läjä remexerem os quadris, foi acionado o grupo de cumbia-lambada-salsa-ritmos-latinos-diversos “O Retirante Cósmico”. Já tinha sentido isso em shows do Figueroas, mas é quase uma figura de linguagem ver a rapaziada que toca em bandas punk & hard core se soltando nos passos leves da latinidade. A sala do estúdio, pequena, foi transformada em palco e pista de dança – e é óbvio que me juntei aos que se remexiam freneticamente.

 

É bacana indicar que o Estúdio Costella, administrado por jovens que tocam em bandas já há algum tempo (como o Chucky Hipólito, do finado Forgotten Boys e do Vespas Mandarinas), e o Alexandre Capilé, (do finado Sugar Kane e do vívissimo Water Rats) vem há algum tempo fazendo festas em seu espaço. Como trata-se de um estúdio de gravação, tem-se equipamentos, regulagens e um ambiente maravilhoso para a apreciação sonora.

 
screen-shot-2016-12-10-at-9-25-48-pmE aí teve o show do Merda, aquela boa e velha eutanásia sonora. Trinta músicas tocadas em blocos, uma colada na outra e pouco tempo para respiro. Entre um bloco e outro Mozine, Rogério e Alex nos lembraram da importância que há na reidratação quando se pratica atividades físicas de alto rendimento – é bonito demais ver o dono das indústrias Läjä virando latas de cerveja entre as músicas, uma mescla de maratonista que pega água no final da São Silvestre com piloto de Fórmula 1 em banho de champanhe e bebê se alimentando em desjejum.
 

Não sou afeito a colocar nas resenhas nomes de músicas que foram tocadas, mas vale salientar que tocaram músicas das mais antigas, como “Enfia seu próprio piru no seu cu” e “Pelo direito de portar armas de brinquedo”, dos primeiros lançamentos, às mais recentes, como “Vou cagar em cima de você” e “Fonte da Coca-Cola”, de um dos splits mais recentes. Foi um grande passeio pela trajetória deste conjunto musical, acompanhado por um público formado por jovens e um monte de gente de outras bandas lançadas pela Läjä, que, em razão da compactação do espaço, puderam apreciar as canções com os rostos praticamente colados nos dos integrante do Conjunto.

 

Acabada a apresentação, a festa da firma seguiu por mais algumas horas. E é importante indicar, não houve tentativas de socos entre os confraternizadores.

 
 

Por: Gabriel Coiso

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