Jason – EP Obtuso (2012)

Punknet 24 de junho de 2012

Arte por: Flavio Flock

Dessa vez a resenha é da banda Jason, com o EP Obtuso. Como gostei da experiência de ouvir e resenhar na hora, vou apertar o play aqui e começar a escrever. O disco marca uma nova fase da banda Jason, pois além de ser produzido pelo Bil (Zander), foi o primeiro trabalho na formação de power trio dos caras.

A música de abertura “Rivotril” já começa com a bateria climatizando o que estará por vir em mais ou menos trÊs minutos.  E é a pura realidade, ao lado das guitarras, a voz explosiva e forte. A música tem uma estrutura bem envolvente e empolga facilmente, com gritos, baixos distorcidos, guitarras pegadas e baterias extremamente dinâmicas, isso sem esquecer da letra, com um refrão muito simples, mas também muito completo.

Seguindo o disco, eis que surge “Bipolar”, criando um clima mais “desconfiado” no início, que remete até aquelas trilhas sonoras de filmes de suspense, mas que logo dá início a cara do Jason, com pancadaria somada a melodia. É certamente impossível escutar essa música e não entrar no transe. A batera bem marcada, com de Souza descendo a mão na caixa. As cordas com uma pegada quebrada, com riff bem marcado.

A música “Dramática”, tem uma melodia vocal muito boa, a voz de Vital consegue extrair toda a essência da letra, mas o que mais me chamou a atenção foi a parte final onde a música vira uma espécie de Punk Progressivo com baixo distorcido no talo e bateria descompassada, além das guitarras fazendo um trabalho de sustentação muito bom, ou seja, em nenhum momento da faixa sente-se um vazio, pois cada segundo está bem preenchido.

A “Tarantela” começa de uma forma que muito me agrada, com o baixo em destaque, deixando o som redondo e bem cheio para o baixo.  A letra dessa e todas as músicas, deixa claro que estamos ouvindo o Jason. A faixa tem uma estrutura bem direta, onde as mudanças acabam quebrando o tempo da música.

Seguindo, a música “Confusa” tem uma pegada bem hardcore, mas com uma essência metal. A letra é bem interessante, mas novamente por méritos do vocal, fica empolgante demais, com as guitarras dando uma sensação de “desespero.” A última parte da canção tem muita essência bem muito clássica, direta, explosiva e sem firula.

Para finalizar o disco, “A Incrível Arte de Errar Em Tudo” já ganhou o meu ponto positivo pelo nome da música. Para falar a verdade ela me surpreendeu muito e virou uma das minhas preferidas, principalmente pela estrutura instável, sendo em alguns momentos mais melódica e em outros momentos um pouco mais agressiva. A letra sem duvida nenhuma é a melhor de todo o disco. Sem querer parer clichê, mas a faixa cabe muito bem como trilha sonora de qualquer programa, de música, atitude e por aí. Para mim o ponto mais empolgante é o final, onde as guitarras começam a ficar mais agudas como se fossem explodir, e explodem de fato com um grito no fim, encerrando um ótimo EP.

Em resumo é um disco para aqueles que já conhecem o Jason e os que deveriam conhecer o Jason. Afinal os caras desbravaram o Brasil e outros países, na na raça e no peito. Um disco direto, coeso e sem frufru.

Eu particularmente não acompanhava muito de perto o trabalho do Jason, mas com certeza após esse trabalho vou prestar muito mais atenção nos caras, acho que é esse tipo de som que ajuda o Brasil a ter uma cena independente de qualidade.

Para entender melhor, só ouvindo no último volume na premiere que a PUNKnet está realizando (aqui).

Banda: Jason
EP: Obtuso
Ano: 2012
Selo: Independente

1 – Rivotril
2 – Bipolar
3 – Dramática
4 – Tarantela
5 – Confusa
6 – A Incrível Arte de Errar em Tudo

Por: Rômulo Oliveira - @romulo_oliver