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“Minimus Fest”: Desacato Civil, Lomba Raivosa e Merda na Jai Club

Punknet | 15/05/2017 | Comentários desativados em “Minimus Fest”: Desacato Civil, Lomba Raivosa e Merda na Jai Club | Matérias

A festa que rolou sábado (13/05) na Jai Club (São Paulo/SP), para lançar os álbuns novos do Merda (“Descarga Adrenérgica”) e do Lomba Raivosa (“Carpe Lobem”), na verdade começou no boteco ao lado da casa umas duas horas antes do primeiro show da noite. Cerveja, cachaça, catuaba, futebolzinho na TV, Caldinho de Sururu e torresmo. Bom modo de começar uma festa de lançamentos.

O “Garrafa Vazia”, que abriria a festa, precisou se ausentar, e o “Desacato Civil” foi chamado para tal função. Banda bacana, não tem música apolítica ou despolitizada: as músicas são meios de expressar leituras de fenômenos sociais, da repressão policial aos problemas da educação pública, passando pela Palestina e o Futebol. Questões que se interligam na sociedade e na obra da banda.

Ano passado lançaram o segundo álbum, “Monumentos da barbárie”, que, na mesma pegada do primeiro, “Humano Mercadoria”, apresenta o mais puro creme do Punk Rock Questionador. Dá uma conferida nas músicas deles aqui.

Todo evento que tem banda envorvida com a Läjä Rex tem um bololo de gente ao redor da banquinha. É dólar e cartão de banco pra lá e pra cá. Eu estava ali de boa observando os bottons novos do Merda e da Revista Prego, quando o César Passa-Mal, um dos jovens do Lomba Raivosa, apareceu com um bolo de folhas na mão: eram as músicas do setlist do show, na ordem e com as letras devidamente escritas. Foram distribuídas entre o público para que “Acompanhassem a missa”.

O show foi energia total, dedo na tomada e choque no cérebro. O Lomba apresentou as músicas do álbum novo (passa os ouvidos nele aqui), como “Eu nunca tô feliz”, “O sabor do desespero”, “Marionete de Satã” e “A elite perfumada, bem vestida e interesseira do underground”, e também canções dos trabalhos anteriores, como “Ela não tem DST”, “Puta pegueira”, “Marimbondo” e mais umas quinze músicas em menos de trinta minutos.

Baixo de machado (à lá Gene Simons), caretas, chiliques, tremeliques e até algo que pode ser chamado de “Bis”, pois houve mais tempo do que músicas tocadas. A piada que intitula o texto, aliás, foi fala do próprio Passa-Mal durante o show: se no Autódromo de Interlagos rolava no mesmo instante o “Maximus Fest”, com shows de bandas gigantes, ali na Jai rolava uma versão mais “Minimus”…

Entendo que o Conjunto de Música Jovem Merda está no grupo das mais prósperas bandas do Hard Core nacional. A proposta musical é papo simples e graça refinada, desenvolvidas com velocidade, sujeira e solos estridentes. O Merda tem um ‘quê’ de Agathocles Brasileiro: é impossível alguém ter em casa todos os plays lançados por essas duas bandas.

Estava curioso sobre como as músicas do novo álbum soariam ao vivo, aliás, para quem não tá ligado, talvez essa tenha sido a gravação de “Maior qualidade técnica” já realizada pelo Merda: Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, com o Rafael Ramos. As músicas também apresentam vocais mais límpidos do que o usual na banda.

Começaram o show com “Bipolar”, que abre o álbum (ouve ele aqui), e foram mesclando as faixas novas com as das dezenas de álbuns & splits & ep’s que a banda já lançou. Não se trata de avaliação pejorativa, tampouco creio que serei mal interpretado, se eu disser que, ao vivo, as músicas novas soam “A mesma merda” das anteriores. Merda das boas, cocô durinho mesmo.

Quarenta minutos de distorção, gritos, prato de ataque. “Índio Cocaleiro”, “Turbulência”, “Cachorro é massa”, “Maradona”, “Sandrinho”, “7×1”… Como o palco na Jai é baixo, rolou um cara a cara com o público, muitos com seus bonezinhos com “A fonte da Coca-Cola” cantando as músicas junto.

Casa com bom público, um monte de gente se abraçando, reencontrando e se conhecendo. Bom modo de realizar uma festa de lançamentos.

 

 

 

 

 

 

 

Por: Gabriel Coiso

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