Nipshot – CD Break & Build (2011)

Punknet 27 de novembro de 2011

O Nipshot sempre esteve à frente da grande maioria das bandas independentes do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil. não é só pelo fato de sempre terem optado por letras em inglês que o som soa como algo vindo da gringa, isso sem desmerecer de maneira alguma a qualidade de “algumas” bandas nacionais que cantam em “bom” português, mas é que a referência do rock alternativo vem de além-mar e querendo ou não todos a tomamos como parâmetro.

Durante anos eu vi a banda prometer um disco full lenght boladão, trocar de formação inúmeras vezes, ameaçar parar de vez e enfim se entocar num estúdio com a vergonha que lhe restava na cara pra fazer a parada acontecer. E aconteceu bonitão, superando até mesmo minhas mais otimistas expectativas.

Pra se ter noção da espera, já me chamaram até pra fazer uma vaquinha entre fãs da banda pra bancar a gravação do disco, mas sempre achei que grana nunca foi a questão principal, eu sabia que só dependia da vontade e disponibilidade dos caras. Hoje podemos agradecer a cada um pelo “esforço” que fizeram.

Numa época em que o mp3 derrubou de vez os formatos físicos, o Nipshot resolveu antecipar a ansiedade e largou tudo na Internet, com capinha e letras, tudo bem bonitinho. O disco começa com “Break & Build”, faixa título do álbum, mostrando toda a maturidade conquistada ao longo de mais de uma década de rock. O primeiro single ficou por conta de “Your World Has Been Shaking”, terceira faixa, e impressiona por tudo o que se nota. Letra, intensidade dos vocais, melodia, detalhes, riffs, batera, baixo. É papo de socar a cabeça e ficar bolado de verdade!

O disco segue com “A Little Waltz For The Crippled”, música lançada anteriormente na coletânea Superfuzz Sessions Vol. 01, seguida por “Ships No Longer Sail in The Bay” e “Steps”, duas músicas que me lembraram bastante a antiga época do Nipshot (ouça o EP “Promises and Lies”).

Voltando a uma pegada mais agressiva, o disco vai chegando ao final até desaguar em “We Can’t Stop Breathing”, a mais melancólica do álbum, guiada totalmente pela belíssima linha de baixo. As viradas de bateria também impressionam, e o final não é outra coisa senão lindo. Um desfecho teatral, como se cada um fosse recolhendo suas coisas, saindo aos poucos do palco, com a sensação de dever cumprido. “pronto, tá aí, dissemos tudo que guardamos durante todos esses anos”.

O que sobra no Nipshot é escasso em quase todas as bandas atuais: a emoção real, a vontade e quase urgência de botar toda uma energia caótica pra fora dos poros, algo que vem de dentro e que se não fosse sentido enquanto tocado e cantado jamais soaria tão intenso e sincero. É de se admirar, portanto, o resultado final de “Break & Build”. A banda que ouvimos do início ao fim é profissionalmente amadora, um bando de amigos que aprenderam a fazer música juntos desse jeito aí, simples pra eles e complexo demais para nós que sempre continuaremos a torcer por um novo disco, ávidos por aprender um pouquinho mais sobre essa naturalidade brutal.

Banda: Nipshot

CD: Break & Build
Ano: 2011
GravadoraIdeal Records
Faixas:
01 – “Break & Build”
02 – “Monster Sickness”
03 – “Your World Has Been Shaking”
04 – “A Little Waltz For The Crippled”
05 – “Ships No Longer Sail In The Bay”
06 – “Steps”
07 – “Out Of Focus”
08 – “Raining In Baghdad”
09 – “The Night I Sold My Soul To The Devil”
10 – “We Can’t Stop Breathing”
@hecket (Victor Hlebetz)