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Numa época que só existiam reis do rock, elas foram as primeiras rainhas

Renata Py | 16/03/2017 | Comentários desativados em Numa época que só existiam reis do rock, elas foram as primeiras rainhas | Colunas

Olá, hoje peço licença pois invadi a coluna das meninas por uma imensa vontade de falar de umas garotas muito importantes na história do Rock. Mês da mulherada e não queria deixá-las de lado.

 

Que menina nunca vibrou ao som de Cherry Bomb? Isso mesmo, vamos falar das Runaways. Numa época que só existiam reis do rock, elas foram as primeiras rainhas. Formada por garotas na década de 70, a banda começou com Joan Jett (guitarrista) e Sandy West (baterista), produzidas por Kim Fowley, conhecido produtor do cenário underground. Depois se juntaram com Micki Steele (baixista), Lita Ford (guitarra) e Cherie Currie (cantora). Micki ficou pouco tempo e logo foi substituída por Jackie Fox.

 

The Runaways gravou seu primeiro álbum homônimo em 1976, assinado pela Mercury Records. Elas excursionaram pelos EUA e tocaram em vários shows esgotados, em pouco tempo viraram um fenômeno. Fizeram parte do cenário punk de Nova York onde começaram aliança com várias bandas do movimento como Blondie, Ramones e The Dead Boys.

 

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Alguns percalços da vida artística rolaram, como o fato de Jackie Fox abandonar o grupo em uma excursão no Japão, mas foi substituída de imediato por Vicky Blue. Mas o problema não parou por aí, após voltarem dessa mesma excursão, Currie também deixou a banda e Jett assumiu os vocais. Foi uma grande ruptura, pois Currie ficou muito conhecida e marcou o grupo com sua imagem forte. Mas Jett tomou uma atitude, a banda era sua vida, ela assumiu com toda sua paixão e fez o que sabia fazer melhor – rock ‘n roll.

 

Elas se separaram em 1979, pode-se dizer que tiveram vários motivos: alguns excessos da vida rock ‘n’ roll, muita pressão e críticas da imprensa americana, despreparo emocional por serem muito jovens entre outros. A Sociedade americana não estava preparada para uma banda apenas de meninas, estamos falando da década de 70. As meninas não se abalaram e mostravam uma atitude libertadora e avançada para época. Estava nascendo uma nova geração, mas os pais daquela época não as deixavam em paz. Eles ainda não tinham a capacidade de discutir assuntos que a banda colocava em evidência. Além disso, um fator também importante para o término, foi o fato das integrantes não entrarem em um acordo em relação ao estilo musical – Jett defendia um estilo mais punk, enquanto Lita Ford e West queriam continuar um estilo mais hard rock/heavy metal. Lita, inlusive gravou “If I Close My Eyes Forever” com Ozzy Osbourne e lançou alguns discos em carreira solo mais voltado ao hard-rock e metal. Aliás, indico muito, Lita manda bem pra caramba.

 

Joan também seguiu carreira solo e foi uma das primeiras cantoras a abrir sua própria gravadora e fazer trabalhos com seu próprio selo, Backheart Records. Ponto para a musa. Ela fez história no rock, sabia que caminho queria seguir – a estrada rock ‘n roll. Até hoje hits como: “Cherry Bomb” e “Queens of Noise” são apreciados por fãs. The Runaways ficou para a história por ser a primeira banda de meninas a mostrar que paixão pelo rock não tem sexo. Ainda bem que Jett não acreditou em seu professor de violão quando ele lhe disse: Meninas não tocam guitarra elétrica.

 

Em 2010 saiu o filme com a história da banda. O roteiro foi adaptado do livro Neon Angel: A Memoir of a Runaways, escrito por  Cherie. O filme foi dirigido e roteirizado por Floria Sigismondi. Confira o trailer abaixo:

 

 

 

Por: Renata Py

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