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Punk Rock não é só pro seu namorado #23 – Por: Priscilla Silva

Punknet | 08/10/2017 | Comentários desativados em Punk Rock não é só pro seu namorado #23 – Por: Priscilla Silva | Colunas

Olá pessoas, andei ausente mas voltei com todo o gás! Hoje trago uma banda de Olimpya em Washington, chamada G.L.O.S.S. O nome da banda é uma sigla pra Girls Living Outside Society’s Shit, que traduzindo seria “Garotas vivendo a parte da sociedade de merda” (ou mais ou menos isso) e já no nome uma crítica sobre as cobranças de normatividade inseridas no sistema em que vivemos. E entendam como normatividade toda e qualquer cobrança que façam com que pessoas sigam padrões (de vestimenta, de conduta, de sexualidade). Esse é o que é mais evidente na banda e é também o assunto do qual mais se tratam as letras.

 

 

g.l.o.s.s

 

 

A banda se formou em 2014, com Corey Evans na bateria, Sadie “Switchblade” Smith no vocal, Jake Bison na guitarra, Tannrr Hainsworth na guitarra e Julaya Antolin no baixo. Eles se intitulam como uma banda de hardcore punk transfeminista. No início foi bem complicado ter segurança sobre dar certo ou não, tendo em vista que a cena hardcore da época era formada por bandas de homens brancos e héteros e que em suas letras não representavam fielmente a realidade a margem da cena hardcore punk daquele lugar e da sociedade como um todo, que não incluiam negros, mulheres, pessoas LGBT, pessoas com deficiência ou qualquer outra pessoa que se identifique como estranha e fora dos padrões. O G.L.O.S.S é uma reação agressiva a toda e qualquer forma de opressão que possam sofrer atrelado ao empoderamento de mulheres cis e trans.

 

Como uma boa banda punk, a razão de existir dessa tem que coincidir com os princípios dos integrantes. Em 2016, a banda recebeu um convite de contrato de gravação de um selo conhecido chamado Epitaph Records (Selo que lança, nada mais nada menos, bandas como Bad Religion, The Offspring, Social Distorcion, Touché Amoré, Rancid, Weezer, dentre outras muitas bandas) e receberiam US$ 50 mil dólares inicialmente pelo contrato. A banda considerou aceitar e usar o dinheiro pra ajudar instituições para desabrigados gays e outras instituições de caridade mas recusaram por saberem que a Epitaph tinha recém se aliado a Warner Bros e não queria fazer parte de uma grande corporação. A banda até então lançou seu material pelo selo “Total Negativity” que é um selo do próprio guitarrista da banda. Logo após a recusa de contrato a banda anunciou também o fim do G.L.O.S.S. O motivo seria a cansaço das tours que estavam fazendo e assim atrapalhando a vida pessoal dos integrantes. A visibilidade que estavam recebendo também não era bem aceita, pois queria estar apenas ali no meio intimista do underground e isso fazia com que se sentissem desonestos com os próprios ideais. Toda a grana que recebem do material vendido é doado para instituições de caridade.

 

G.L.O.S.S lançou um demo em 2015 e um full em 2016, intitulado “Trans Days Of Revenge” e você pode ouvir os dois aqui : https://girlslivingoutsidesocietysshit.bandcamp.com/

 

Abração, deixo um video e sugiro que assistam em pé com espaço pra fazer aquele circle pit.

 

 

 

 

 

Por: Priscilla Silva

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