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Punknet Entrevista: DEAD FISH

Punknet | 20/12/2017 | Sem comentários | Entrevistas, Notícias
Dead-Fish-foto-Guilherme-Fernandez
 No final de novembro o Dead Fish lançou o documentário “Asfalto – 25 anos de Dead Fish” contando sua história desde o começo, lá no fim dos anos 90 até chegar aos dias de hoje. Uma banda que alcançou tudo o que uma banda no underground poderia alcançar, que assinou com gravadora, passou clip na tv, mas nunca esqueceu as suas origens e o lugar de onde veio.

Conversamos um pouco com Rodrigo Lima, vocalista da banda sobre tudo isso:

Punknet: Vocês acabaram de lançar o documentário de 25 anos da banda, como foi essa experiência de relembrar todo esse tempo de banda desde o início até aqui?

Essa ideia já existia na minha cabeça desde 2014 quando lançamos o Vitória, ai veio o Caio Rodriguez e o Okura com a ideia de fazer o doc, conversamos por quase cinco meses e chegamos num viés pra história, que são todos os álbuns contado pelos integrantes e ex integrantes. O Doc ficou muito simples e muito real. É um doc que vem da perifeira do Brasil, do mundo, de um lugar que tivemos que reinventar nossa realidade com a nova cultura que encontramos nos zines e no skate. Acho um registro bem honesto, gostamos muito. Não é uma banda de SP na sua raíz, tínhamos pouco acesso a tudo, também não somos um cover de uma banda gringa, tenho o sentimento que criamos algo no fim das contas, sem nem estarmos ligados.

Punknet: Como é ter uma banda por tanto tempo, e o que os motiva a seguir em frente ainda acreditando nisso?

Essa é uma grande questão, pelo menos pra mim, sempre foi. Desde o começo, e falo isso no Doc de 25 anos.  A banda foi o objetivo não as pessoas, isso era o certo pra nós, quem passou pela banda sabe disso. De alguma forma esse pensamento manteve a banda por muitos anos, mesmo ao custo de anular nossas individualidades e até deformar mesmo os sujeitos ali. É aquele papo, de ter cuidado com o que você deseja por que pode acontecer, e aconteceu né? Estamos aqui. Hoje, tentando ver de longe tudo isso consigo entender que nem sempre acertamos, a banda foi muito cruel, essa palavra é meio forte, mas é essa mesmo, com as pesssoas envolvidas internamente. Abrimos mão de muita coisa pra estarmos com ela, na minha opinião pessoal essa foi a melhor e a pior decisão de nossas vidas. Não é a toa que tenho um super sentimento ambíguo em relação ao Dead Fish, muitas vezes quis me livrar dessa merda toda e outras dou meu sangue até a última gota pra que seja, como é, a melhor banda do mundo em nossas mentes. Quanto a motivação, não consigo te explicar exatamente, a banda se tornou nosso cotidiano como respirar, como cagar. É dar a respirada mais funda num dia ensolarado ou segurar a respiração num dia poluído, dar aquela cagada mais sensacional pela manhã ou ficar constipado por dias na estrada, fora o palco, acho que o Dead Fish é meio isto hoje.

Punknet: Quais as principais diferenças que você nota na cena lá dos anos 90 pra hoje, 2017? E como você acha que o Dead Fish acompanhou e reagiu à estas mudanças?

Não sou saudosista daquele tempo, acho isso até meio doente. Hoje é tudo mais bem feito e fácil de fazer, divulgar, gravar, tocar, planejar tour. Definitivamente hoje é muito mais legal de estar envolvido com música, mas eu sinto falta do culhão que os moleques dos 90 tinham, era tudo mais precário e talvez mais intenso, disso sinto falta, de gente se envolvendo por que curte a parada e não tem um plano traçado, ou precisa ser adulado, elogiado. O mais legal era desafiar. Raras exceções não vejo isso hoje, todo mundo sabe tudo demais mas age de menos, precisam mais de likes do que ir lá, tocar, ser vaiado, aplaudido ou ignorado. Tudo isso é parte do processo, botar a cara. Achar seus pares e até seus desafetos. Desde 1999 não creio mais num senso de comunidade mas em cena sim, acredito muito, desde sempre. Uma cena diversa é um cenário vivo e a gente tinha isso lá atrás, boa parte dos envolvidos se não era amigo se conhecia, se respeitava na medida do possível. uma característica de hoje e dos 90  é a baixíssima autoestima local (sulamericana) isso não mudou infelizmente, só que lá atrás a gente enfrentava isso entrando numa van e tocando, hoje nego faz isso fazendo textão e grupo de rede social, pra mim isso não faz o menor sentido.

Punknet: Como foi a experiência do lançamento em salas simultâneas por todo o Brasil?

O Caio Rodriguez e o Okura fizeram muito bem o doc, na sequência um camarada do Rio que tem um site chamado kinorama.co se ofereceu pra passar o Doc nos cinemas. A ideia pra mim foi genial. Tirar os garotos de casa pra ir ao cinema é genial.  O kinorama lançou as sessões em 8 capitais e em 4 rolaram, Rio, SP, BH e Vitória. Foi muito legal.  Chegamos atrasados pras sessões de SP, mas foi sensacional ter enchido três salas de cinema no centro. Vi um pedacinho do Doc em cada uma. Muito legal! Espero poder repetir e mais muitas cidades.

Punknet:  Haverá mais sessões pra quem não teve oportunidade de ir nessa primeira?
Estamos tentando, acabou de rolar outra em SP. As pessoas que quiserem ser embaixadoras é só entrar em contato com o Kinorama.co

Punknet: Existe algum planejamento e/ou previsão para o lançamento físico e/ou nas redes sociais?
Lançaremos o DOC em dvd com muitas horas de extras. Isso deve acontecer depois de fevereiro de 2018. Deve subir o DOC pra alguma tv a cabo dessas também.

Punknet: Esse mês vocês farão os 2 últimos shows do Dead Fish no Hangar 110, o que essa casa significa para a banda, e como é se despedir desse palco?
Pessoalmente ainda não sei o que pensar, a ficha começou a cair mês passado quando fui a uns shows. Será uma semana intensa essa do dia 19 a 23 de dezembro, quero estar em todas as noites e dar mais do que o nosso melhor nas nossas duas noites. Será histórico e muito triste também.

Punknet: Para muitos a casa era um Norte de como as coisas estavam indo para toda a cena em geral, e agora todo o universo brasileiro do Punk Rock e Hardcore ficam sem a sua principal referência de shows. Como vocês enxergam o futuro pra essa galera?
O Hangar 110 deixa um legado de procedimento, um norte de como agir com ética e integridade. Se eles vão ser um exemplo eu já não sei. Espero que sim.

Punknet – Rodando o Brasil, certamente vocês encontram muitas bandas interessantes, consegue indicar 5 delas que valem a pena prestar atenção pro futuro?

Consigo falar de mais de cinco, posso?

– Molho Negro
– O inimigo
– Faca preta
– Lava Divers
– Direction
– Rincon Sapiência
– Cama de jornal (essa é velha mas é nova pra mim)
– Dona Iracema
– Facada
– Miami Tigers

Essas são as que lembrei aqui de tampa.

Punknet: Obrigado pela atenção algo a acrescentar, espaço livre!

Nicolas que maneiro que entrou pra punknet. Fico felizasso seu Miranda idiota! Amo-te!
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Entrevista por Nicolas Miranda
Colaborador Punknet.com.br
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