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Reencontros & energias: Garage Fuzz e Contraponto em Mogi das Cruzes

Punknet | 29/11/2017 | Comentários desativados em Reencontros & energias: Garage Fuzz e Contraponto em Mogi das Cruzes | Matérias

Um burburinho começou a correr entre o pessoal dos distintos subgêneros do rock independente de Mogi das Cruzes: “O Thiago vai abrir uma casa nova”. Algumas semanas e o burburinho se atualizou: “Vai ser onde era o antigo Sailors”. Outras semanas e o burburinho se concretizava mais: “Parece que vai trazer o Garage Fuzz para a inauguração”.
 
O “Sailors” era um rolê no centro da cidade, criado pelo Thiago, que servia rangos, bebidas e música. Mudou de endereço (alguns metros pra baixo na mesma rua), e um pouco de proposta também.
 
O mundo gira. A órbita dos planetas é movimento recentemente compreendido pelas ciências. E aí, no finzinho de 2017, chega o Thiago e abre, no endereço do antigo Sailors, a “Orb”. Uma casa voltada para o som autoral independente. E que casa…
Simplicidade: um salão comprido e estreito, à esquerda da entrada um palco baixinho, piso de madeira, uma pilastra cria uma divisão entre a “Pista” e outro salão, onde estão o bar, os banheiros e um fliperama. Lotação: 150 pessoas. A decoração é temática com o nome da casa: quadros, fotos, imagens e palavras que fazem menção ao espaço, aos planetas.
 
Para inaugurar a Orb, um line curto, mas muito representativo: Contraponto e Garage Fuzz.
 
Contraponto é uma banda formada em Mogi, na década de 1990. Conta com o próprio Thiago, que toca guitarra, e o Fábio, baixo e vocal. Na formação que gravou o primeiro álbum da banda, “Caos global”, lançado em 2001, havia ainda o Tyello Silva e o Samuel Rato.
 
O CD foi lançado, e a banda nunca fez um show com esta formação. Até o último sábado, quando, entre piadas sobre cabelos brancos, sobre “Termos nos conhecido trocando carta”, a rapaziada se reuniu na Orb.
 
Showzaço. Jovens grisalhos amontoados na frente do palco cantando com todo fervor. Pegando microfone e colocando no meio da galera. Diversão e sorrisos à beça naquele reencontro. Aliás, naqueles reencontros todos: da galera da banda, do público com a banda, do Hard Core com aquele endereço…
 
Para quem curte Hard Core melódico, fica a dica para ouvir o ótimo e antológico trampo aqui.
 
Algum tempo de intervalo, queria passar os olhos na banquinha no fundo do salão do bar, mas não consegui chegar lá. A casa estava entupida de gente. Os 150 ingressos estavam todos em uso lá dentro. E começou o Garage Fuzz.
 
Ah Garage, e suas guitarras infernalmente organizadas, saborosas. Som límpido de dois amplificadores que falavam alto demais dentro daquela casa estreita. Ah Alexandre Sesper, seus vocais serenos que nunca deixam de ter atitude, presença.
 
Com um dos pés sobre o palco de madeira, o sentia e via vibrar, no ritmo da bateria. Via vibrar também as faces de dezenas de pessoas, amontoadas. Inaugurando um piso e desfrutando um show. Vi a troca de vibração com o Fabrício, olhando nos olhos da galera e agradecendo sincero pelo show quente e a acolhida fervorosa.
 
Aquela boa, velha e única dose de energia chamada “Garage Fuzz”.
 
Grandes shows para inaugurar uma casa que tem tudo pra ser referência na região. Aliás, durante a apresentação do Contraponto, Thiago deu a letra ao microfone: “Monte sua banda e venha tocar aqui”. Tem banda? Mesmo que fora de Mogi das Cruzes, dá uma ligada pra Orb. Vai vir tocar em São Paulo/SP? Vê se rola uma data na Orb, faz um show a mais por aqui – uma horinha de carro da capital do estado e tua banda toca numa cidade que tem uma cena que envelhece, se renova e é sempre sedenta por rolê.
 
Vida longa à Orb! Por mais shows de fazer a galera sair andando suada pelas ruas do centro de Mogi!

 

 

 

 

Por: Gabriel Coiso

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