Não aguentei ficar só com os malditos MP3s desse álbum. Tem tanta coisa ruim na minha coleção, por que um disco como “Close My Eyes” não mereceria um lugar na estante? Custou 60 pilas, mas ao menos a edição é digipack. Já estou separando a grana pra comprar a versão em vinil também – pois se o LP for inspirado em “Wasted Days”, penúltimo álbum dos Slackers, conterá ao menos umas duas versões dub diferentes. Ainda não me informei a respeito disso.
Em doze faixas, pela sétima vez na carreira, os Slackers me surpreendem. A fórmula continua a mesma, skas, rock steadys, reggaes e dubs envolventes, com um certo sabor de calipso em algumas faixas (“Old Dog”), marcados por uma cozinha redonda, agora renovada, depois da saida do baterista Luiz Zuluaga e da entrada de Allen Teboul. A voz rouca, made in Brooklyn, do tecladista/vocalista Victor Ruggiero - aquele mesmo que participa dos álbuns do Rancid, punx - identifica qualquer trabalho do Slackers. Lembra, as vezes, uma espécie de "garage reggae".
No entanto, “Close My Eyes” apresenta algumas diferenças em relação aos álbuns anteriores. Os dubs (“Real War” e “Decon Dub”) ganharam força, parecem composições de fato nascidas para serem dubs e não apenas reggaes lapidados e anabolizados por efeitos. O vocalista Marc Lyn tomou frente em “Real War” e o baixo de Marcus Geard estoura o peito de qualquer aficcionado por música jamaicana.
Nos detalhes, o disco também mostra evoluções. Os backing vocals ganharam maior destaque, transformando-se em parte essencial de temas como “Bin Waitin”, “Mommy”, “Don’t Wanna Go”, “Who Knows” e “Close My Eyes”. Sopros e baixo estão mais limpos que nos trabalhos anteriores. E a percussão de Larry McDonald, eterno oitavo mebro dos Slackers, já está mais que incorporada ao time. Que mais poderia ressaltar? Ahh, Glen Adams, dos lendários Upsetters, participa de uma faixa e asina a co-produção do disco.
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