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Resenhas

Ciano - Fresno

(Terapia Records, 2006)

por Laís da Costa Novo

Ciano. Azul. Uma cor fria, até mesmo deprimente. O título do novo disco da Fresno - banda que, decididamente, não precisa de introdução - resume inteligentemente o seu conteúdo. Ao escutá-lo, a sensação de gelo, inverno, árvores desfolhadas e vento assobiando melancolicamente é constante. "A resposta", faixa que abre o CD, não deixa dúvidas: é Fresno.

Sem fugir da fórmula de O rio, A cidade, A árvore, a banda apresenta-se mais amadurecida - tanto em termos instrumentais, como no sentido de lapidar um pouco mais a sua identidade musical. O primeiro single, "Quebre as correntes", encontra-se logo entre as cinco faixas iniciais, a versão oficial apresentando diferenças sutis com relação ao single virtual. Ainda no começo do álbum temos as já conhecidas "O que hoje você vê" e "Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas", esta última uma das mais longas canções composta pela Fresno.

"Absolutamente nada", faixa quatro, traz uma característica pouco comum nas composições dos gaúchos, mas que, em Ciano, aparece mais frequentemente: refrões. "Logo você", como o sol aparecendo melancolicamente numa tarde gélida de inverno, quebra o clima pesado das músicas anteriores. "O que você sente ao me ver / o que eu sinto por você / ou não sente mais nada", ah, isso vai grudar como chiclete - acredite.

"O peso do mundo", essa vai virar hino de milhares de emo-kids por aí. "Como podem ser tão maus / humilham, mentem, mudam o rumo da minha vida / só porque eu não sou igual / e ocupo todo o tempo sarando feridas" - alguma dúvida? É uma excelente canção, a letra é simplesmente bela... Quem poderá culpá-los?

"Alguém que te faz sorrir" completa, cheia de guitarras, bateria e tudo o mais que tem direito. Se a versão acústica já arrepiava muita gente, essa vai apaixonar ainda mais. "Soneto", linda composição que Lucas fez sobre sua mãe. Bela homenagem e, sem dúvidas, ótima canção.

"Enferrujou", uma canção que poderia se encaixar tranquilamente em O rio, a cidade, e a árvore. Já é velha conhecida de alguns e ficou muito bem com a nova roupagem.

A última faixa do disco, "Infância", é daquelas canções que fazem você se sentir levemente deprimido, ânimos acalmados, muitos pensamentos. Mais uma vez o indiscutível talento dos rapazes de contagiar os ouvintes com os sentimentos que desejam dividir, mesmo que você não esteja prestando atenção nas palavras.

Finalizando o CD, um delicioso presente para os fãs: "Teu semblante", "Stonehenge", e "Sono profundo" - as canções mais queridas de O Quarto Dos Livros - regravadas e de cara limpa. Fechando Ciano, "Sono profundo" numa versão um pouco mais suave do que a original.

Um trabalho de extremo bom gosto, que com certeza agradará ao público que já curtia o som da banda. Este é Ciano, mais um acerto de Lucas, Vavo, Cuper e Lezo. Mandaram bem.

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