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Rock Station 2017 – Espaço das Américas

Punknet | 07/11/2017 | Comentários desativados em Rock Station 2017 – Espaço das Américas | Matérias

Domingo (05/11) foi um dia recheado de eventos: para quem gosta de futebol, o clássico Palmeiras X Corinthians. Para quem gosta / precisa estudar, o ENEM. E para quem curte punk rock, rolou o festival Rock Station 2017, no Espaço das Américas, em São Paulo, comemorando os 32 anos da 89fm – A Rádio Rock.

 

Foto: Marcello Orsi

Foto: Marcello Orsi

Por volta das 15h eu já me encontrava dentro da casa que ainda estava parcialmente vazia e faltavam alguns minutos para a entrada da primeira banda. Andei pelo local bastante espaçoso e fui até a área externa onde me deparei com um mini ramp coberto devido a conhecida garoa de São Paulo, alguns  Food Truck com algumas diversidades de rango e um palco destinado às bandas independentes. Uma pequena caminhada pelo local e já retornei para dentro da casa onde pontualmente as 15h30 a os americanos da banda Teenage Bottlerocket já mandavam os primeiros acordes de boas vindas ao fest.  Kody (Vocal e Guitarra), Miguel (Baixo), Darren (Bateria) e Ray (Vocal e Guitarra) chegaram completamente extrovertidos, entrosados e mandando uma paulada atrás da outra. Em uma dessas interações até conseguiram citar as duas coisas favoritas deles no Brasil: “Habib’s e Skol!” e em outro momento do show, Ray Carlisle desceu do palco e foi até a galera puxando um circle pit levantando ainda mais o público e já deixando os presentes aquecidos para o que ainda estava por vir.

 

Foto: Jean Silva

Foto: Jean Silva

Finalizado o show do Teenage Bottlerocket, era hora da pausa para um cigarro e o gole amargo da cerveja que custava absurdos R$ 12,00, mais uma volta na área externa já mais movimentada mesmo com a garoa. Não consegui ver as bandas que ali tocaram devido aos horários dos shows, uma pena. Seguindo a pontualidade do evento, as 16h30 era hora do Samiam, banda que está na estrada desde 1988 e vem do berço melódico californiano e é referência para muitas bandas, inclusive brasileiras. Jason Beebout (Vocal), Sean Kennerly (Guitarra), Sergie Loobkoff (Guitarra), Chad Darby (Baixo) e Colin Brooks (Bateria) subiram ao palco animadíssimos brincando com a galera devido ao anúncio com o pequeno engano chamando a banda Pegboy. O show aparentou ser um pouco mais morno, as músicas do Samiam não são rápidas e segue a levada que muitos chamariam de “emo”. Foi um show muito bom, banda entrosada, era notável a participação do público em alguns clássicos como em “She Found You”, porém, eu senti a falta de uma música ou outra com mais velocidade.

 

 

Foto: Jean Silva

Foto: Jean Silva

Com uma ótima organização, o evento seguiu a risca os horários e as 17h40, a banda fundada em 1990 Pegboy, já chegou fazendo muito barulho no palco. O vocalista Larry Damore mal chegou ao palco e já se jogou nos braços do público, de um lado para o outro na grade, cantando junto e trazendo mais adrenalina para o evento, somado aos companheiros John Haggerty guitarra, Joe Haggerty bateria e Mike Thompson no baixo, o Pegboy fez um show sensacional, eu não conhecia a banda e me surpreendi demais com cada música tocada e com a energia do Larry que durante o show ainda mandou um stage dive e “surfou” na plateia.

 

Foto: Marcello Orsi

Foto: Marcello Orsi

Logo na sequencia, antes mesmo do sangue esfriar, os representantes brasileiros do evento entraram no palco. Era a hora do Dead Fish, comemorando seus 25 anos com energia de banda nova. É difícil falar de Dead Fish pois esse não é o primeiro e nem será o último show que cobriremos dessa banda que sempre soma em qualquer evento com suas mensagens de cunho político/social e com a sonoridade nítida de que foi influenciada por algumas bandas do evento. Rodrigo, Halyand, Rick e Marcão fizeram um show impecável, fazendo o público agitar e cantar as músicas, mostraram que tem respeito dentro do cenário e com a experiência de mais de duas décadas de rolê, representaram bem o brasil neste evento repleto de artistas gringos.

 

Foto: Marcello Orsi

Foto: Marcello Orsi

O relógio já marcava 20h30 quando os caras do Bad Religion subiram ao palco, a banda principal da noite com seus 30 anos de estrada, chegaram a todo vapor com um set list repleto de clássicos, fazendo a cabeça da galera mais das antigas ir ao delírio. Lembro da primeira vez que vi a banda a 10 anos atrás… o mesmo animo, mesma carisma, aquela sincronia sensacional… é, o que mudou mesmo foram só os cabelos brancos que o tempo trouxe. Sem muita firula, Greg Graffin cantava cada clássico da banda sempre com gestos  ao público, sem perder o fôlego, o professor ministrava uma aula para a galera. Brett Gurewitz, entre riffs potentes e solos sensacionais ainda sincronizava seu backing vocal com  Jay Bentley, uma figura única nas 4 cordas que levanta o público e agita como se tivesse 18 anos. Mike Dimkich não fica pra tras, apesar de ser “mais comportado” no palco, não deixa de representar uma velha guarda do punk rock, completando perfeitamente o time de cordas da banda. Jamie Miller, o mais recém chegado na banda trouxe o espirito mais jovem para o Bad Religion, acrescentando diversos improvisos nas músicas, dando um ar novo em cada clássico tocado, ele segura a bronca da bateria sem perder o ritmo e sem se intimidar com os dinossauros que dividem o palco com ele. Após uma pequena pausa para recuperar o folego, a banda ainda tocou mais 4 sons, despedindo-se do publico e agradecendo todas as bandas ali presentes. Foi um evento sensacional, bem organizado, com um ar nostálgico por ouvir bandas que fizeram a nossa cabeça durante a adolescência e que nos deu a energia que faltava para começar a nossa rotina novamente.

 

 

 

 

 

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Texto: Jean Silva

Fotos: Jean Silva e Marcello Orsi

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