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Roubaram a Kombi duma banda firmeza!

Punknet | 09/11/2017 | Comentários desativados em Roubaram a Kombi duma banda firmeza! | Colunas

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Na noite do dia 02/11, em Campinas/SP, roubaram a Kombi e os equipamentos da Doctor Mars, uma banda independente (de Indaiatuba/SP), que corre pra dedéu pra fazer o som acontecer, e esse texto é uma crônica sobre isso. Se não quiser ler o texto todo, dá um pulo direto no post que eles fizeram e se puder, dê uma força pra continuidade da banda aqui pela vaquinha que eles criaram ou adquirindo material da banda aqui. Ah, e claro: dá um confere no “Antares”, álbum que lançaram agora em 2017!

Em 2005, ano em que descobri o Hard Core e o rock além dos grandes meios de mídia, e queria ir a todo show que fosse possível entre o Hangar, o Galpão no Jabaquara, a Tribe House etc, acabou que perdi o “Kool Metal Fest”. Não me lembro o motivo (talvez notas vermelhas no boletim escolar), apenas que queria ver os shows do Ludovic, Envydust, Paura e Are You God? – por valiosíssimos cinco reais.

Perdi o rolê, e, um tempo depois, começaram a pipocar por alguns sites e um primitivo Youtube, vídeos dos shows. Me marcou naquelas filmagens o início do show do Ludovic, em que Jair Naves menciona alguns rapazes do público, que haviam dito ser ruim ter bandas que não ‘são metal’ no fest. Um Jair mais jovem do que o atual jovem Jair, ciente de que os rapazes o ouviam, diz: “Se você não entende o que é fazer música anti-comercial no Brasil, eu não posso fazer nada”.

“Fazer música anti-comercial”. É inegável que isso se tornou um norte em minha vida musical: a música preparada e lapidada pela indústria para ser meramente confortável, não interessa. E nessa caminhada de dar muito mais atenção ao que ocorre nos porões do que com holofotes e Rede Globo – paro e me dou conta que já quase metade de minha vida inteira – conheci muita gente que faz a banda existir na base do suor, sangue, cansaço, no limite, no prejuízo.

Uma das bandas mais sensacionais que conheci no que diz respeito à “Independência”, isto é, fazer as coisas autonomamente, sem depender de muitas aprovações alheias, e ignorando os intuitos e pedidos comerciais, é a Doctor Mars.

De Indaiatuba, perto de Campinas, é uma rapaziada que tem uma base rock muito bem definida, referenciais clássicos mermo, com uma baita dose de groove, peso e um deslizar de sons tecnológicos, efeitos, sintetizadores e teclados. Som alternativo, independente, experimental, roque em roul, doidera, camisas coloridas e toda a simpatia do mundo.

Quando os conheci, em 2014, eles já tinham a Kombi. Todo mundo ali na banda não vive da banda, todo mundo ali trabalha e investe grande parte do salário na banda, e quando os conheci, tinha rolado a pouco tempo de comprarem uma Kombi para viajarem com maior conforto.

Aliás, cabe falar com mais atenção do que é ter conforto nessa correria do “Underground”: colocam amplificadores e caixas e malas pesadas na Kombi, viajam no meio disso tudo, chegam onde vão tocar, descarregam as caixas e malas e amplis, tocam, levam do palco pra Kombi, viajam de novo, tiram da Kombi. Bom, Kombi dá um pouco de conforto…

Esse ano lançaram o álbum “Antares”, com temática politizada nas letras, um som mais dançante e uma mixagem absurda, um trabalho refinadíssimo! “Antares” saiu em forma física graças a uma campanha de crowdfunding bem sucedida, apoiada pelo público da banda, formado ‘por aí’ em cidades do interior paulista, graças, em primeiro lugar, à disposição dos rapazes, e, claro, à Kombi. Aliás, esse ano a Kombi rodou e não foi pouco para acompanhar o lançamento do play.

Porra, baixa em mim um espírito que é mescla de Jair Naves jovem, aguerrido, fervente, visceral com Craque Neto pós-derrota do Corinthians pra Ponte Preta! É uma sacanagem terem roubado a Kombi e uma porrada de equipamentos dessa galera. Fico puto da cara! E vou colocar mais uma informação: esses dias a Doctor Mars foi selecionada para tocar na final do “Festival de Rock de Indaiatuba”, um “festival-competição” que, pelo que entendi, é tradicional na cidade – uma cidade de interior que ainda mantém um festival de rock! – e, não fosse pela solidariedade e amizade de musicistas conterrâneos, eles não poderiam tocar por conta do furto dos equipamentos!

Toda solidariedade e amor que me cabe no peito pro Bruno, Alexandre, Caio, Márcio e pra Perina, que eu sei que tá sentindo na carne junto com os meninos.

Abaixo deixo a lista de equipamentos roubados, no post feito pela banda tem fotos e detalhes. Se aparecer algo barato demais por aí pelas internets e afins, dá aquela printada e passa pra banda. E reforço: quem puder, dá aquela força por meio da vaquinha ou comprando materiais da banda aqui.

 

– Kombi branca ano 2002 (placa CDV-3473)
– Guitarra Squier Telecaster bege (alaranjada)
– Guitarra SX Stratocaster creme
– Teclado Yamaha PSR-550 preto
– Sintetizador Korg R3 preto/prata
– Pedalboard com os seguintes pedais:
– 1 Whammy;
– 1 Drive Meteoro Tube Revolution preto;
– 1 Boss Flanger BF-2;
– 1 afinador Korg Pitchblack;
– 1 fonte Landscape para pedais.
– Amplificador de guitarra Vox VT-40+
– Maleta prata com extensões, estabilizadores e plugues
– Mochila contendo:
– 1 pedal Boss Flanger BF-3;
– 1 pedal Behringer Ultra Shift Harmonizer (verde);
– 4 cabos P10;
– 1 fonte 9V para pedais
– 1 fonte de teclado Yamaha
– 1 fonte de teclado Korg
– Pedestal duplo de teclado STAY
– 2 bancos de bateria

 

Por: Gabriel Coiso

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