
Há um tempo, quando o Smashing Pumpkins lançou o single “Tarantula”, li uma entrevista do Billy Corgan onde ele dizia que a banda ia parar de lançar discos e passaria a se dedicar apenas a singles. A explicação era bem plausível, calcada no fato de que as pessoas agora jogam todas suas músicas para um iPod e acabam criando playlists mistas, sem se importar com a qualidade do arquivo de audio ou com a ordem original das músicas de um mesmo álbum. Pelo visto o carecão foi vencido pelo seu complexo de grandeza e reuniu novo elenco para o lançamento de mais um full-lengh. Oceania faz parte do ousado Teagarden by Kaleidyscope, projeto que contará em seu fim com 44 músicas dos Pumpkins.
O novo disco remete aos melhores trabalhos elaborados pelas formações anteriores da banda, e isso parece óbvio logo nas primeiras duas faixas de Oceania. “Panopticon” pega carona no clima final de “Quasar” e mantém quase o mesmo andamento, a mesma batida, dando a impressão de que a música anterior ainda tinha algo a dizer.
Confira aqui “Quasar”:
Após um início promissor, os acordes de violão em “The Celestials” anunciam a primeira pseudo-balada do CD, que conta com bela melodia e uma inversão de ambientação do meio pro fim. O próximo destaque virá apenas na sexta faixa, “One Diamond, One Heart”, com sons digitais e a voz de Billy Corgan ressoando por cima como em um comercial de celular. A música seguinte, “Pinwheels”, segue a mesma fórmula.
Na sequência vem a música que empresta seu nome ao álbum, “Oceania”, a mais longa do disco. Ela é eternamente tépida em seus nove minutos; não há um momento que consiga captar nossa atenção por inteiro. Termina de forma tímida num fade out esquisito e é somente neste suspiro final que ela parece clamar por sua importância (além do título). Surge a impressão de que os caras meteram o pé no freio e o prognóstico de um trabalho intenso se desfaz.
“The Chimera” tenta eternizar um novo riff na história dos Pumpkins. A música é boa, mas falta alguma coisa. Na real, esse foi o sentimento que ficou comigo ao longo de quase todas as músicas. “Glissandra” e “Inkless” não fogem à regra: tentam acelerar um pouco a coisa, temperam o ambiente com overdrives mas não enchem os ouvidos. Ao fim de “Wildflower” eu já estava cansado, como se tivesse assistido a um filme sem sal que se estende por mais tempo do que deveria. Ainda assim os bons momentos de Oceania conseguem coroa-lo como a melhor investida dos últimos anos de Corgan & cia. O importante é manter a expectativa baixa.
Banda: The Smashing Pumpkins
CD: Oceania
Ano: 2012
Selo: Virgin
1- Quasar
2- Panopticon
3- The Celestials
4- Violet Rays
5- My Love is Winter
6- One Diamond, One Heart
7- Pinwheels
8- Oceania
9- Pale Horse
10- The Chimera
11- Glissandra
12- Inkless
13- Wildflower
Por: Victor Hlebetz - @hecket















