NGTiV - Afronta – Clearwiew – One True Reason – Plastic Fire – Questions
E o hardcore como vai? Muito Bem Obrigado!
A galera de São Paulo foi presenteada esse final de semana com um dos melhores shows de hardcore brutal (no sentido mais fiel e literário que esse termo pode ter) do ano. E a escolha do palco para juntar todo esse pessoal não poderia ter sido melhor. O Inferno Club ficou pequeno para a galera que foi curtir o SPHC XII.
Debutando na cena paulistana a banda NGTiV abriu os trabalhos e vamos combinar que não poderiam ter feito melhor estreia . Com seu som energético e agressivo, Paulo Sotero, Flávio “Cuca” Scaglione, Marcelo Fonseca, João Martim Jr. e Marcelo Papa, conseguiram passar sua mensagem e mostrar para o público que ainda chegava na casa como se faz barulho de verdade.
Expressando sua indignação com tudo que corrompe o ser humano, os caras da Afronta chegaram no Inferno para dar sentido real ao que se julga “cena underground”. Já de cara, mandaram “Jamais me renderei”, e seguindo a linha de letras para pensar, e pegadas estilo Nova York que muito lembravam bandas como Agnostic Front e Madball, os músicos Tiago Castanha (Bateria), Fabio (Baixo) Paulo Castanha (Guitarra), Fabiano Azevedo (Vocais) fizeram um som em tom de protesto, mas nada de levantar bandeiras. Deram o recado para quem estava interessado em ouvir, e posso dizer que, prestando bem atenção nas letras e na empolgação do povo em “A queda das muralhas”, “Vivo pela fé” e “A colheita”, a mensagem foi passada.
A terceira banda, como eles mesmos dizem, fizeram um hardcore sem frescura, para ouvir e quebrar tudo, e na real, ainda bem que na casa, não tinha o que ser quebrado porque a situação ficou tensa. A casa já estava com cara de porão europeu, quando o Clearview começou a tocar, e desde o primeiro som (Constant Denial) o povo acompanhou tanto nas palmas quanto no bate-cabeça que parecia ter sido coreografado. Tava lindo de se ver!
E não tinha distinção, eram homens, mulheres , dos antigos aos mais novos de cena, todos juntos na roda que não canso de dizer: Parecia ter sido ensaiada! Os caras mandaram muito bem fechando com o cover de Righteous Jams. E vale lembrar que também acabaram de lançar um cd, para quem gosta de som porrada, direto e sem firula, ta aí uma banda referência.
O que foi a apresentação da One true Reason?
Estava aqui procurando adjetivos para ilustrar o que foi a apresentação desses caras e percebi que qualquer coisa que dissesse seria como chover no molhado. A essa hora, quem tinha que chegar no rolê, já tinha chegado. Inferno cheio, bora botar o capeta pra gritar então!
Saldando a nação corinthiana (já começou agradando) o vocalista Bruno Morales deu a porrada na orelha que estava faltando, abrindo com “Word of Honor”, não teve jeito, até quem não queria caiu na roda do bate-cabeça. E não posso deixar de fora a agilidade do guitarrista Douglas Melchiades que em “Maddog” parecia realmente estar possuído. Não tem outro termo para definir Bruno Morales (Vocal) Alexandre Bezerra (Guitarra), Guilherme Silveira (Baixo), Diego Gringo (Bateria) enquanto banda se não como brutal. Fecharam coma nervosa “Snakeskin”, fazendo o batera quase se desidratar no palco de tanto que transpirava por conta da agilidade do som.
O caminho da “porradaria” já estava aberto e os caras da Plastic Fire colocaram seu sotaque cheio de Ss e Xs na noite paulistana. Abrindo com um breve discurso do guitarrista Daniel Avelar, a banda deu continuidade a tudo que vêm se falando quando o assunto é “cena underground”, sem se tornar repetitivo ou clichê, em poucas palavras, representou todas as bandas que fizeram e fazem parte desse universo que às vezes parece tão paralelo. Não tem quem haver separação de gêneros, seja melódico, agressivo ou punk,de São Paulo,do Rio ou de Pernambuco a tal cena tem que ser unida para que assim alguma coisa de fato mude. E com sua postura mais que crazy abriram com “M.A.S” e mantiveram o set list já bem conhecido, focando no último trabalho “A última cidade livre” . E toda vez que assisto a um show do Plastic Fire não deixo de sentir um profundo dó dos companheiros de palco de Reynaldo Cruz (Vocal), são chutes, água na cara… realmente Marcelo (Baixo), Daniel (Guitarra) e Felipe (bateria) dão sentido a frase : “Faço porque gosto” =) . Esse foi o último show da temporada para o Plastic Fire, então que estava lá e cantou junto “O preço de ser Impessoal”, conferiu a último som ao vivo da banda… por esse ano, por que em 2012 os cariocas vão continuar botando fogo por onde passarem.
Quem nunca foi assistir um show a trabalho e se pegou curtindo no meio do povo que atire a primeira pedra, afinal era o Questions que estava no palco, então…nada mais a dizer!
Depois de uma turnê mais que bem sucedida pela Europa, a velha guarda do hardcore veio lançar seu novo trabalho “Life Is A Fight” e foi com o som de mesmo título que Pablo Menna (Guitarra), Edu Andrade (Vocal) Helio Suzuki (Baixo) Duz Akira (Bateria) botaram a nação hardcorzera pra gritar. Vai até parecer piegas dizer que a apresentação dos caras foi perfeita, mas o fato é que o Questions não é só mais uma banda perdida nesse meio onde produzir algum trabalho sem deixar se influenciar pela tal cultura de massa é tão difícil. Os caras já tem mais de vinte anos de história, toda e qualquer banda que se julgue underground deve a eles o espaço que tem hoje para tocar e mostrar seu trabalho. As turnês que fizeram tanto dentro quanto fora do país foram mais que elogiadas, então resta dizer que…
A galera lotou o inferno nesse domingo. Desde o primeiro som “Life is a Fight” até o último “Show you no Mercy” todos que estavam na casa cantaram junto. E um dos momentos mais fodásticos da apresentação foi em “Strenght” quando o ex guitarrista Marcelo Papa e os membros da One True Reason, Alexandre Bezerra e Bruno Morales subiram no palco, e aí meu bem, o Inferno ficou pequeno e tenho certeza que até o demônio ficou assustado. Era uma cena inteira apoiando, aplaudindo e fazendo coro junto com Edu Andrade (vocalista). Era som de gente grande, o tipo de música que deixa a vó da gente de cabelo em pé. Esqueçam as letras óbvias e clichês e os bicordes, o Questions faz harcore brutal, nervoso, veloz e pesado. E depois do show de hoje, nada mais a dizer, só para ser mais enfática, vou fechar com o comentário do próprio Edu:
“Se Nova York foi a melhor cena hardcore, São Paulo agora vai ser”
Por: Tâm Carvalho - @_tamcarvalho
Confira mais fotos aqui por:@marcellorsi



















