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Trump? Não é o problema – Por: Gabriel Coiso

Renata Py | 09/11/2016 | Comentários desativados em Trump? Não é o problema – Por: Gabriel Coiso | Matérias

“Calma! O mundo não vai acabar!”. Escrevo essa frase sem medo de estar errado – até porque, se eu estiver, não haverá pessoas ou mundo para me cobrar por ela após o término de tudo.

 

A eleição de Donald Trump para presidente dos EUA, em si, não é o real problema. O bonachão bilionário colocou no papel e em suas falas o que sempre foi implícito, ou mesmo escondido, nas posturas dos últimos presidentes dos ‘gringos’: ele apenas passou a citar em seus discursos, com grande louvor, atos de xenofobia, racismo, machismo e fascismo, e foi aprovado por isso.

 

Em termos de prática, não faz lá muita diferença se o presidente diz abertamente que os Mexicanos tem que “voltar para seu país”, ou se ele simplesmente enxota os Mexicanos para lá. Para um Iraquiano ou Afegão que teve sua cidade bombardeada, não faz lá muita diferença o que disse ou ‘desdisse’ o presidente do país que o bombardeou. Para um Brasileiro que verá suas riquezas naturais vendidas a preço de cocô (nem de banana é mais), idem. Mas há uma diferença central, puramente, falar sobre tais temas destas formas e ser eleito, ao que parece, por falar.

 

Há exatamente um ano (o Facebook me lembrou disso agora) fui abordado na Rua Augusta por um rapaz que se dizia “revisionista”. Das besteiras que ele me disse descobri uma enormidade de pequenos e discretos grupos nazistas atuando pelo mundo.

 

Naquela situação espantou-me alguém se apresentar aberta e tranquilamente como “revisionista”, isso é, de maneira sucinta, aquele que quer ‘rever’ o conteúdo de episódios históricos – e, no contexto da “revisão” que o rapaz defendia, a Alemanha nazista e a segunda guerra mundial “não foram tudo isso de errado que falam”.

 

O céu agora está aberto para que esse tipo de pensamento (e as devidas posturas que o acompanham) abram as asas e voem livremente – quer, dizer, livremente, mas nem tanto: vai ver se “revisionista tupiniquim” vai poder voar no céu dos EUA ou mesmo da Europa.

 

E aí está outra faceta do real problema: o discurso de ódio, de intolerância etc, voará com maior liberdade também por cima de nossas cabeças por aqui. Pois o discurso está liberado, não precisa mais ficar escondidinho debaixo de falas, máscaras, jaquetas verde musgo e tatuagens enigmáticas: tá liberado ser nazista. Esse é o real problema.

 

Gabriel Coiso@gabrielcoiso

 

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