Within Temptation
Reza uma lenda celta muito conhecida entre os músicos que os últimos shows das turnês de uma banda costumam ser os melhores porque, além da produção já ter ganho bastante experiência para saber o que deu certo e o que pode ser melhorado com o passar das apresentações, a banda, geralmente, se sente mais à vontade para aloprar (no bom sentido) e escapar um pouco do que foi formalmente programado. Junte isso ao frenesi de um público sedento há anos para ver um ícone do metal sinfônico holandês para pelas terras cariocas (tão carente de bons shows do metal internacional), uma casa de show de tom intimista como o Circo Voador e tenha em suas mãos uma explosão catártica de entrar para a história.
Para a ambientação ficar perfeita, só faltou chover exatamente na hora em que eles pisassem no palco. E não é que choveu?
O Within Temptation entrou no palco (melhor dizendo, tomou o palco) por volta de 20h com o petardo Shot in The Dark do seu último álbum The Unforgiving (e que nomeia a turnê atual), tendo os primeiros acordes ensurdecidos pelo grito descontrolado da galera. Luzes e bolas brancas e vermelhas acompanhavam a entrada da hipercarismática frontgirl Sharon Den Adel e todo o carrossel sonoro holandês que não disfarçava o seu entusiasmo de estar no Rio de Janeiro.
A segunda porrada lírica ficou por conta de In The Mid of The Night, Faster, ambas do mesmo álbum, inclusive, na ordem das faixas no Cd. Fire & Ice, que também veio obedecendo a sequência do álbum, foi absurdamente ovacionada e cantada em uníssono.
Ice Queen, do cultuado álbum Mother Earth (e que possui um clipe que não faz jus à música), quebra a sequência de músicas mais novas, mostrando um Within Temptation que começou a ser moldado há 11 anos e como a voz de Sharon continua impecável. Our Solemn Hour, do trabalho The Heart of Everything, Stand My Ground, do The Silent Force, e Sinéad colocaram o Circo inteiro para pular com a banda coreograficamente. WHYD e Iron, em que Sharon começa cantando de joelhos como se reverenciasse a plateia, continuaram mantendo o clima onírico da apresentação. Ninguém ousava sequer olhar para o lado enquanto a mágica acontecia.
A balada sinfônica Angels, Memories e Where Is The Edge continuam com o trem de riffs e melodias líricas. A épica Deceiver of Fools e o hit Mother Earth, anunciada como a última da noite, foram interpretadas sem qualquer economia de voz ou arte cênica de Sharon. A força e a presença dela pareciam querer se comunicar diretamente com cada um dos presentes, que retribuíam cantando, pirando ou, simplesmente, chorando.
Fim da música, palmas e gritos histéricos, a banda se despede, diz que esta foi uma das experiências mais incríveis que já tiveram nas suas vidas, eles tiram a foto final, eles se retiram, as luzes se apagam e todos voltam para as suas casas.
Não.
Logicamente, depois do suspense costumeiro, eles voltaram para o bis com Hand of Sorrow e Stairway, com luzes quentes e frias que se alternavam com o nome do grupo piscando no telão ao fundo em um final sobriamente apoteótico (ou apocalíptico).
E, visivelmente felizes, lá se foram os holandeses de volta para casa neste que foi o último show de sua turnê sul-americana. Fim do show e fim da magia, pelo menos, por enquanto. Eles prometeram voltar. Que voltem com a chuva.
- Foto por: Bleia Campos – @bleian
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Texto Por: Gilberto Porcidonio – @_puppet

























